Newsletter nº 263  -  Ano VI  -  22 de Maio de 2006

  

 

MODELOS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS OU MARCAS – 2º CAPÍTULO

    Dando continuidade ao assunto iniciado no informativo da semana passada, onde falamos dos modelos de avaliação de negócios baseados em técnicas comparativas de mercado, os quais se subdividiam em:

 

-  Modelo baseado no índice preço/lucro de ações similares;

-  Modelo de capitalização dos lucros;

-  Modelo dos múltiplos de faturamento;

-  Modelo dos múltiplos de fluxo de caixa.

    Para esta semana iremos discorrer sobre outros modelos de avaliação, ou seja, modelos baseados em ativos e passivos contábeis ajustados, que buscam determinar o valor econômico da empresa com base na conversão para o valor de mercado dos itens presentes nas demonstrações financeiras.

    De acordo com Martins[1] (2001), entre os modelos baseados em ativos e passivos contábeis ajustados, existem duas metodologias específicas a saber:

 

a)      Modelo de avaliação patrimonial contábil;

b)      Modelo de avaliação patrimonial pelo mercado.

 

a) Modelo de avaliação patrimonial contábil

     Este modelo baseia-se na soma algébrica dos ativos e passivos exigíveis mensurados em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos, por este método a equação seria a seguinte:

Valor da empresa = Ativos Contábeis – Passivos exigíveis contábeis = Patrimônio Líquido

     Segundo Martins (2001), o modelo de avaliação patrimonial contábil pode ser utilizado por empresas cujos ativos mensurados pelos princípios contábeis não divergem muito de seus valores de mercado e que não possuem um goodwil significativo. Percebemos, assim, que seu uso deve ser muito restrito.

b) Modelo de avaliação patrimonial pelo mercado

     Martins (2001), afirma que o modelo de avaliação patrimonial pelo mercado consiste na mensuração do conjunto de ativos e passivos exigíveis com base no valor de mercado de seus itens específicos. Os valores de entrada ou saída são aplicados de acordo com a natureza e intenção de uso de cada item.

     Os ativos que compõem o balanço da empresa podem se avaliados por:

-  Valores de entrada:

  • Custo histórico ou custo histórico corrigido: consiste no valor pago pelo ativo na data de sua aquisição. Este valor pode ser ajustado considerando-se os efeitos da variação do poder de compra da moeda (inflação), ou ser tomado no seu valor nominal (custo histórico).

  • Custo corrente: corresponde ao valor que a empresa pagaria hoje para adquirir o ativo referido;

  • Custo futuro de reposição: corresponde ao valor corrente (ou expectativa deste valor), do ativo na data de sua reposição (data futura).

      -  Valores de saída:

  • Valor realizado: consiste no valor recebido pela venda do ativo referido;

  • Valor corrente de venda: corresponde ao valor pelo qual se conseguiria vender o ativo hoje em condições normais de venda;

  • Valor realizável líquido: corresponde ao valor corrente de venda deduzido dos gastos necessários para a sua venda;

  • Valor de liquidação: corresponde ao valor que seria obtido pela venda do ativo em condições específicas de venda;

  • Valor de realização futura: corresponde ao valor que a empresa obterá (ou espera obter), pela venda do ativo num determinado momento futuro;

  • Valor justo de mercado: corresponde ao valor recebido pela comercialização de um ativo num mercado eficiente e em condições normais.

      Já o valor dos passivos da empresa, segundo Neiva[2] (1999), deve ser determinado, de modo geral, descontando-se a valor presente, considerando-se o prazo de seu vencimento  futuro e a taxa de desconto a ser utilizada – que poderá ser a taxa de contrato firmado com o credor.

Neste modelo, a equação para se chegar ao valor da empresa seria a seguinte:

Valor da empresa = Ativos ajustados – Passivos exigíveis ajustados

       Martins (2001), alerta que embora este modelo seja válido para um número maior de situações específicas, a adoção deste, costuma desconsiderar os benefícios líquidos futuros que o conjunto de ativos e passivos exigíveis seria capaz de gerar.

       Na próxima semana, juntamente com o terceiro e último capítulo, iremos abordar os modelos de avaliação de empresas e marcas mais utilizados pela Machado & Associados e aceitos no mundo dos negócios.

 

[1] Martins, E. (Org.). (2001). Avaliação de empresas: da mensuração contábil à econômica. São Paulo: Atlas.

[2] Neiva, R.A. (1999). Valor de mercado da empresa. 3 ed. São Paulo: Atlas.

 

Rafael José Rodrigues

Área de Negócios

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