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Newsletter nº 264 - Ano VI - 05 de Junho de 2006 |
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MODELOS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS OU MARCAS – 3º CAPÍTULO Nos informativos passados discorremos sobre diversos modelos de avaliação de empresas e marcas, os quais incluíam os modelos baseados em técnicas comparativas de mercado - 1º capítulo – e nos modelos baseados em ativos e passivos contábeis ajustados – 2º capítulo, demonstrando sua aplicabilidade, vantagens e restrições quanto ao seu uso. Para este 3º e último capítulo iremos abordar os modelos baseados no desconto de fluxos de benefícios futuros, onde segundo Martins[1] (2001, p. 268), esses modelos partem da premissa de que o valor da empresa deve ser definido com base nas suas perspectivas e potencialidades de geração de riqueza, ou criação de valor. Dentre os modelos baseados no desconto de fluxos de benefícios futuros, existem 3 metodologias específicas a saber:
a) Modelo baseado no EVA Antes de entrarmos no mérito do modelo propriamente dito, primeiramente vamos definir o conceito do EVA (Economic Value Added), onde, contabilmente falando, é representado pelo lucro operacional após o pagamento de impostos menos o custo de capital, o que também é conhecido como lucro residual – o que sobra depois de todos os custos terem sido cobertos – portanto, a equação que representa o EVA seria: EVA = NOPAT – (CmePC x CT) Onde:
Como já mencionado o EVA representa o lucro residual, ou seja, o lucro após o desconto dos impostos e a parcela correspondente ao custo do capital ou custo de oportunidade do dinheiro. Segundo Stewart[3] (1991), é possível obter o valor de uma empresa com base no lucro econômico, ou seja: Valor de mercado = Valor presente dos EVA futuros + Capital inicial b) Modelo do valor presente dos fluxos futuros de dividendos Este modelo foi desenvolvido inicialmente por Myron Gordon[4], e parte do pressuposto de que o valor da ação e, conseqüentemente, o valor da empresa pode ser determinado com base nos fluxos futuros de dividendos da empresa. Segundo este modelo o preço da ação é igual ao valor presente de seus fluxos futuros de dividendos, descontados por uma taxa de retorno exigida pelos acionistas. Portanto, chega-se ao valor da empresa multiplicando-se o preço da ação pela quantia de ações correspondente a toda a empresa, sendo essencial para a aplicação deste modelo, a consideração dos fatores que influenciam a determinação do preço da ação. Segundo Neiva[5] (1999, p. 32), esses fatores são: - variação da taxa de crescimento dos dividendos projetados; - variação da taxa de retorno exigida pelos investidores, com relação a ação; - alguma combinação entre uma variação na taxa de crescimento de dividendos e na taxa de retorno exigida pelos investidores, que proporcione alteração na relação risco/retorno da ação. A equação representativa deste método de avaliação é apresentada a seguir:
Onde: P0 = preço da ação no momento zero; K = taxa de retorno exigida pelo acionista; Dt = fluxo de dividendo no período t. Após calculado o preço da ação, finalmente, o valor da empresa (V0) será calculado multiplicando-se o preço da ação (P0), pela quantidade de ações (Q) correspondente a toda a empresa, através da seguinte equação:
V0 = Q x P0 c) Modelo do fluxo de caixa descontado O modelo do fluxo de caixa descontado, segundo Martins (2001, p. 275), é tido, dentre todos os modelos, como o que melhor revela a efetiva capacidade de geração de riqueza de determinado empreendimento, o mesmo autor coloca que o modelo do fluxo de caixa descontado é aquele que melhor retrata as perspectivas da empresa, baseado nas potencialidades econômicas de seus itens patrimoniais, inclusive o goodwill. Conclui-se então que este modelo se apresenta como o mais recente e mais aplicado em processos de empresas em continuidade. De acordo com (Martins, 2001, p. 280), para a aplicação deste método deverão ser consideradas algumas variáveis, tais como: 1. Fluxo de caixa relevante – parte-se da premissa de que o patrimônio da empresa vale aquilo que ela consegue gerar de caixa no futuro; 2. Período de projeção – o fluxo de caixa deve ser projetado para um espaço de tempo que permita sua previsão com razoável confiança; 3. Valor da perpetuidade ou valor residual – os fluxos de caixa revistos além do período de projeção devem ser quantificados (perpetuidade com ou sem crescimento); 4. Condições de endividamento financeiro; 5. Taxa de desconto – a taxa de juros usada para descontar a valor presente os fluxos futuros de caixa deve ser aquela que melhor reflita os custos de oportunidade e/ou de capital e os riscos. Após a análise das variáveis apresentadas acima, as etapas para aplicação do modelo de fluxo de caixa descontado para a avaliação da empresa podem ser resumidas da seguinte forma: 1. ANALISAR O DESEMPENHO HISTÓRICO
2. PROJETAR OS FLUXOS DE CAIXA
3. ESTIMAR A TAXA DE DESCONTO
4. ESTIMAR O VALOR DA PERPETUIDADE
5. CALCULAR O VALOR DA EMPRESA
Analisando o esquema apresentado acima, observa-se que o método do fluxo de caixa descontado é subdividido em cinco grandes etapas, onde:
- as duas primeiras etapas consistem basicamente na análise do desempenho histórico da empresa, onde busca-se averiguar a saúde financeira, e no estabelecimento de premissas e cenários para projeção dos fluxos de caixa futuros;
- a terceira etapa consiste em determinar a taxa de desconto a ser utilizada para trazer os fluxos de caixa futuros a valor presente. Para determinação desta taxa devem ser estimados os custos do capital próprio e de terceiros e, finalmente, o custo médio ponderado de capital;
- a quarta etapa consiste no cálculo do valor da perpetuidade, isto é, na parcela de valor correspondente aos fluxos de caixa ocorridos após o período de projeção. Para isso é necessário definir o período de projeção ou horizonte de previsão para os fluxos de caixa futuros e, a parir disto, aplica-se um método para a determinação do valor da perpetuidade, que deverá ser descontada a valor presente, onde também deverá ser definida a taxa de crescimento esperada para os fluxos de caixa ocorridos após o período de projeção, ou seja, durante a perpetuidade;
- a quinta e última etapa consiste no cálculo do valor da empresa propriamente dito, onde, determinado o valor da empresa, é importante que seja realizada uma análise deste valor, comparando-o com valores anteriores ou com valores de outras empresas. Conclusão
Depois de apresentados três capítulos, contendo os principais métodos de avaliação de empresas e marcas, onde procuramos de forma resumida apresentar a metodologia de cálculo dos principais modelos utilizados no mundo empresarial, pode-se concluir que avaliação de empresas é um assunto muito complexo, não sendo possível estabelecer uma metodologia única ou um roteiro para a sua execução, pois uma avaliação econômica nesse sentido, não se processa mediante fundamentos de uma ciência exata, onde se permite a comprovação absoluta dos resultados apurados.
A avaliação de empresas, no cenário atual, se configura como uma ferramenta fundamental para a administração dos negócios, onde diversos são os benefícios advindos de uma avaliação da marca, como por exemplo:
A machado & Associados possui profissionais altamente capacitados para desenvolverem trabalhos desta natureza, profissionais compostos por economistas, contadores e advogados, com vasta experiência em avaliações e reavaliações de marcas, e coloca-se a disposição para possíveis contatos e elaboração de trabalhos.
[1] Martins, E. (Org.). (2001). Avaliação de empresas: da mensuração contábil à econômica. São Paulo: Atlas. [2] O EVA® foi desenvolvido e é uma marca registrada da Stern Stewart & Co, empresa de consultoria Americana [3] Stewart, G.B (1991). The Quest for Value: the EVA management guide. New York: Harper Business. [4] Gordon, M. J. The investiment, financing valuation of the corporation, 1962. [5] Neiva, R.A (1999). Valor de mercado da empresa. 3. ed. São Paulo: Atlas.
Raphael José Rodrigues Consultor Contábil
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