Newsletter nº 274  -  Ano VI  -  24 de Outubro de 2006

  

 

SERVIÇOS AMBIENTAIS

        Os dois primeiros anos de operação do mercado de créditos de carbono (2005 e 2006) registraram um crescimento de 38%. Em 2005, 11,5 bilhões de dólares foram negociados em créditos e a projeção para 2006 é de 30 bilhões de dólares.

      Os números indicam clara mudança no modelo adotado para impulsionar a proteção ambiental e o crescimento sustentável. Surge o mercado de pagamento por serviços ambientais. O que o homem sempre usou e degradou de graça passa a ter um preço, justamente pela ameaça de escassez.  

     Os serviços ambientais partem do princípio de que floresta ou outros sistemas naturais, como regiões alagadas, fornecem para sociedade serviços como o seqüestro de carbono, que combate a mudança climática, protege lençóis d’água e conserva a biodiversidade.

     O mercado de serviços ambientais é movido pela crise ambiental vivida. No caso dos créditos de carbono pelas mudanças climáticas causadas pela emissão de carbonos na atmosfera.

      Dos serviços ambientais o de carbono é o mais avançado. Atrelado ao Protocolo de kyoto, acordo global formado para reduzir as emissões de gazes do efeito estufa, força empresas que precisam reduzir suas emissões e não possuem a tecnologia ou os recursos necessários a comercializar com quem tenha conseguido reduzir suas emissões.

     Outro modelo de serviço ambiental bem interessante e que vem ganhando musculatura, especialmente nos EUA, é o de troca por reduções de impacto ambiental em regiões alagadas. Foram criados “bancos” não com dinheiro, mas com pessoas que guardam, mantêm ou melhoram as regiões alagadas. Elas têm créditos que são vendidos a empresas que pretendam se instalar em regiões alagadiças, como por exemplo, a Wal-Mart.

     O Brasil ainda carece de uma estrutura regulatória sobre a qual esses mercados possam operar. Faltam leis de proteção ao ar, água, biodiversidade, etc. Muito embora a falta de regulamentação, há negócios como o “selo verde” para a madeira que crescem pela preocupação, social e econômica, com a sustentabilidade de sua fonte.

     Setores como o da soja, papel e celulose, canavieiro, alvos do terceiro setor, já reconhecem que cada vez mais o sucesso de seus negócios está ligado a suas habilidades de conservar o meio ambiente e de demonstrar isto tanto para comprador quanto para sociedade.

     A conservação do mundo, do meio ambiente será estimulada não pela bondade do coração em apoiar um projeto de conservação, mas por uma análise econômica baseada em quão caro é destruir o sistema natural. O debate não será mais: Precisamos salvar o mundo! Esse será nosso sistema financeiro.

 

Rafael Hoerbe Soares
Área de Negócios
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