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Newsletter nº 277 - Ano VI - 05 de Dezembro de 2006 |
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DEPRESSÃO: O MAL SOLITÁRIO A depressão é uma doença séria que afeta o corpo, a mente e a sociabilidade das pessoas. Mas ao contrário do que algumas pessoas pensam elas tem cura, desde que não permaneça escondida atrás das dores e lágrimas. Quebrar barreiras significa romper os preconceitos que envolvem os distúrbios mentais e encará-los como doença que precisa de tratamento. Quando médicos, pacientes e familiares quebram as barreiras internas e externas, as histórias de dor transformam-se em emocionantes contos de superação. Cerca de 121 milhões de pessoas sofrem de depressão, mas 75% delas estão sem tratamento. De acordo com a Associação Brasileira de Familiares Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), só no País, existem cerca de 17 milhões de pessoas lutando contra o mal. A situação nacional reflete a falta de informação e de assistência médica: a grande maioria dos pacientes não têm acompanhamento médico e não sabem sequer do seu diagnóstico. Para elevar os padrões mundiais de diagnóstico e tratamento da depressão, reduzir o estigma que cerca a doença por meio de ações educativas, a Federação Mundial de Saúde Mental (WFMH) lançou, no início do mês de novembro próximo passado, em São Paulo, a Campanha Quebrando Barreiras. Em “Monólogos da depressão”, foram apresentadas histórias reais de mulheres que sofreram depressão e conseguiram vencer a doença. São várias as causas que evoluem para a depressão. A psiquiatra Alexandrina Meleiro explica que ambiente com altos níveis de estresse e a pré-disposição genética são os principais. Ela alerta também que ter na família alguém que já apresentou crises depressivas pode ser um sinal de alerta. O tratamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, envolvendo psiquiatra ou psicólogo, terapeutas e, às vezes até um nutricionista. Geralmente são utilizados antidepressivos e inibidores de ansiedade. Os resultados vem há longo prazo. Segundo a Dra. Kaliu, o tratamento para um episódio de crise aguda dura cerca de um ano. Quem já teve duas ou mais crises, o indicado é permanecer com o tratamento para diminuir as chances de ter outras. “E como quem já teve uma crise tem maior chance de desenvolver outras, é preciso que aos primeiros sinais de recaída procure seu médico e retorne o tratamento”, aconselha a Dra. Apesar de se ter um número maior de mulheres com depressão, a presidente da Federação Mundial para Saúde Mental, Patt Franciosi alerta que o mal não é uma doença feminina e que existe um número grande de homens deprimidos sem tratamento. O percentual para as mulheres é de 20% enquanto o dos homens é de 12%. “As mulheres, ao contrário dos homens, procuram mais ajuda médica. E a depressão é uma das maiores causas de suicídios em homens. Ela precisa ser tratada”. Além disso, aumentou consideravelmente o número de crianças e adolescentes deprimidos. Pais e professores devem estar atentos para os primeiros sinais. Mesmo com todos os avanços na área da medicina um dos grandes entraves para o tratamento da depressão é o diagnóstico tardio. A Federação Mundial para a Saúde Mental realizou, em 2005, a pesquisa “Depressão: A verdade dolorosa”. O objetivo foi verificar até que ponto os médicos e os pacientes estão conscientes da relação entre os sintomas emocionais e os físicos da depressão, assim como para identificar as falhas potenciais no diagnóstico e tratamento. Os resultados revelaram que as pessoas com depressão demoram, em média, mais de 11 meses para ir ao médico devido aos seus sintomas. Além disso, elas foram diagnosticadas somente após cinco consultas. A pesquisa também mostrou que 75% dos pacientes depressivos não sabiam que os sintomas físicos dolorosos são comuns na depressão. A presidente da WFMH, Patt Franciosi, diz que os profissionais de saúde ainda não conseguem relacionar corretamente a ligação entre os sintomas físicos com a doença. Cerca de 75% dos médicos entrevistados disseram estar preocupado com o diagnóstico errôneo dos distúrbios mentais. “Nove em cada 10 médicos afirmam que a depressão é relatada de forma geral na Universidade. É só na especialização que eles têm um aprofundamento nas doenças mentais”. Os principais sintomas físicos apontados pelos pacientes foram dores de cabeça, dores nas costas, problemas digestivos e dores em geral sem uma explicação plausível. A grande maioria, cerca de 79%, concordaram que estes sintomas eram incômodos ou muito incômodos, e que eles foram a causa da ida ao médico. Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste. Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjôos. Contudo para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais:
Os sintomas corporais mais comuns são sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas. Períodos de melhoria e piora são comuns, o que cria a falsa impressão de que se está melhorando sozinho quando durante alguns dias o paciente sente-se bem. Geralmente tudo se passa gradualmente, não necessariamente com todos os sintomas simultâneos, aliás, é difícil ver todos os sintomas juntos. Até que se faça o diagnóstico praticamente todas as pessoas possuem explicações para o que está acontecendo com elas, julgando sempre ser um problema passageiro. Outros sintomas que podem vir associados aos sintomas centrais são: - Pessimismo, - Dificuldade de tomar decisões, - Dificuldade para começar a fazer suas tarefas, - Irritabilidade ou impaciência, - Inquietação, - Achar que não vale a pena viver; desejo de morrer, - Chorar à-toa, - Dificuldade para chorar, - Sensação de que nunca vai melhorar, desesperança, - Dificuldade de terminar as coisas que começou, - Sentimento de pena de si mesmo, - Persistência de pensamentos negativos, - Queixas freqüentes. - Sentimentos de culpa injustificáveis, - Apetite, insônia, perda do desejo sexual, - Boca ressecada, constipação, perda de peso e aumento de peso. Os sintomas depressivos apesar de muito comuns são pouco detectados nos pacientes de atendimento em outras especialidades, o que permite o desenvolvimento e prolongamento desse problema comprometendo a qualidade de vida do indivíduo e sua recuperação. Anteriormente estudos associaram o fumo, a vida sedentária, obesidade, ao maior risco de doença cardíaca. Agora, pelas mesmas técnicas, associa-se sintoma depressivo com maior risco de desenvolver doenças cardíacas. A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais provavelmente correta é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos. O uso continuado da palavra pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica. Se os reveses da vida causassem depressão, todas as pessoas a eles submetidos estariam deprimidas e não é isto o que se observa. Os eventos estressantes provavelmente disparam a depressão nas pessoas predispostas, vulneráveis. Exemplos de eventos estressantes são perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, pequenas contrariedades não são consideradas como eventos fortes o suficiente para desencadear depressão. O que torna as pessoas vulneráveis ainda é objeto de estudo. A influência genética como em toda medicina é muito estudada. Trabalhos recentes mostram que mais do que a influência genética, o ambiente durante a infância pode predispor mais as pessoas. O fator genético é fundamental uma vez que os gêmeos idênticos ficam mais deprimidos do que os gêmeos não idênticos. A depressão representa uma das doenças mais comuns da era moderna, mas já é conhecida desde a antiguidade. É um mal que acomete homens, mulheres e crianças, de todas as etnias e classes sociais, mas é duas vezes mais comum nas mulheres. Sentimentos de infelicidade, inutilidade, culpa e vazio são normais e ocorrem em todas as pessoas após acontecimentos indesejáveis. Geralmente desaparecem algum tempo depois, não devendo ser encarados como depressão. Entretanto, deve-se ficar atento quando esses sentimentos se tornam graves e duram várias semanas.
Claudete Silvia
de Oliveira Mello
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