Newsletter nº 283  -  Ano VII  -  13 de Março de 2007

  

 

OPORTUNIDADES NO MERCADO DE COMMODITIES

        A entrada de uma grande economia no mercado (China) e a procura de fontes energéticas que tragam um equilíbrio ambiental, como conseqüência do aquecimento global, coloca o Brasil em posição de destaque no processo de crescimento sustentável da economia mundial.

       Isto porque tanto China quanto aquecimento global geram uma demanda natural por commodities abundantes no Brasil. A visita do presidente George W. Bush sinaliza o interesse americano por dois produtos brasileiros em especial: álcool e etanol. No caso do álcool os Estados Unidos são responsáveis por 2,5 bilhões de litros do total de 3,5 bilhões que exportamos. Já o etanol, que é derivado da cana ou milho e absorve carbono, se apresenta como combustível alternativo ao petróleo.

      Este notório interesse e necessidade mundial em nossos recursos naturais vêm obrigando nossas empresas a se protegerem da concorrência com grupos multinacionais. Aquisições e fusões permitem a consolidação de posições no mercado e turbina o crescimento. Para novos investimentos a estratégia pode ser a abertura de capital. O papel do mercado de capital é gerar dinheiro barato para financiar novos empreendimentos. Não é por outro motivo que o Brasil registrou no ano de 2006 um número recorde de aquisições, fusões e processos de abertura de capital.

        Em nosso país o setor de commodities, de um modo geral, enfrenta dificuldade para viabilizar processos de aquisição e de abertura de capital. Isto se dá por na grande maioria se tratarem de negócios pequenos, marcados pela informalidade e com traço familiar. A informalidade dificulta a adequação da contabilidade aos padrões internacionais exigidos e o caráter familiar destes negócios os torna mais fechados, sem a transparência exigida pela bolsa de valores. Por outro lado, uma característica positiva do setor é a baixa concentração, ou seja, são mercados altamente pulverizados, o que abre espaço para uma onda de consolidação. Isto ocorre tanto no mercado do álcool quanto no de carne, por exemplo.

       Nesta fase mundial de supervalorização das commodities o importante é que o setor esteja atento e preparado para as oportunidades que surgirão, mesmo porque, o aumento da produtividade mundial e o surgimento de outras alternativas tecnológicas podem significar uma desvalorização do negócio. Exemplo disto é que hoje o hidrogênio já é uma ameaça ao recém chegado etanol.  

      Práticas como a realização de auditorias contábeis, de preventivos fiscais e a avaliação de seus negócios, com a boa quantificação dos ativos tangíveis e intangíveis, devem obrigatoriamente fazer parte da rotina corporativa e são imprescindíveis para a realização de um bom negócio.

 

Rafael Hoerbe Soares
Área de Negócios
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