Newsletter nº 296  -  Ano VII  -  20 de Dezembro de 2007

 

    

“Conhecer é recordar a verdade que já existe em nós; é despertar a razão

para que ela se exerça por si mesma.”

(Platão)

 

O INATISMO

 

     Por séculos, estudiosos tentaram chegar a um consenso, a respeito da origem dos princípios racionais, da capacidade para a intuição e de raciocínio do homem. Será que as pessoas já nascem com potencialidades, dons e aptidões que serão desenvolvidos de acordo com o amadurecimento biológico ou tudo isso é desenvolvido através da experiência com o mundo externo?

     É bem provável que esta polêmica iniciou a partir da discussão de dois dos maiores filósofos da história: Platão e Aristóteles. Embora ambos tenham sido discípulos de Sócrates, Platão defendia a idéia de que nascemos com idéias natas, enquanto Aristóteles pregava que tudo é desenvolvido através da experiência, onde o contato com o mundo externo é a única forma de se obter conhecimento e aprimoramento do intelecto.

    Através de suas teorias, o inatismo apresenta o ser humano como um agente estático, sem a possibilidade de sofrer mudanças. Desta forma, quando o homem nasce, sua personalidade, valores, hábitos, crenças, pensamento, emoções e conduta social já estão definidos, uma vez que toda a atividade de conhecimento é exclusiva do sujeito, o meio não participa dela. O filósofo Platão argumenta a favor desta teoria através de seus escritos, destacando-se “Mênon” e “A república”.

    A tese central dos inatistas é a de que se não tivermos em nosso espírito a razão e a verdade, nunca saberemos se um conhecimento é verdadeiro ou falso. Não teremos, portanto, uma informação segura para avaliar nossos conhecimentos. Enfatizando os fatores maturacionais e hereditários, o inatismo entende que o ser humano é um sujeito fechado em si mesmo, nasce com potencialidades, com dons e aptidões que serão desenvolvidos de acordo com o amadurecimento biológico. Uma vez que possui  dons, divinamente justificáveis, o ser humano, assim entendido, não tem possibilidade de mudança, não age efetivamente e nem percebe interferências significativas do social. Nada depois do nascimento é importante, visto que o homem já nasce pronto. Tudo depende das programações genéticas. O ser humano concebido como biologicamente determinado, remete a uma sociedade, harmônica, hierarquizada, que impossibilita a mobilidade social.

   Para os empiristas como Aristóteles, o homem ao nascer é uma “folha em branco”. Segundo Popper, “Não há nada no nosso intelecto que não tenha entrado lá através dos nossos sentidos". Essa é a idéia central do empirismo: a única fonte de conhecimento humano é a experiência adquirida em função do meio físico mediada pelos sentidos. Assim, o empirismo destaca a importância da educação e da instrução na formação do homem. A verdade, a razão e as idéias racionais são adquiridas através da experiência. O termo empirismo tem sua origem no grego “empeiria” que significa experiência sensorial. De um modo geral, o empirismo defende que todas as nossas idéias são provenientes de nossas percepções sensoriais (visão, audição, tato, paladar, olfato).  

     O estudo do empirismo e do inatismo é importante devido ao fato de que muitas questões polêmicas, giram em torno destas duas teorias atualmente, tais como, o desenvolvimento da homossexualidade, a formação de líderes, o desenvolvimento de superdotação, etc.

 

  Claudete Silvia de Oliveira Mello
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