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Newsletter nº 323 - Ano VIII - 22 de Julho de 2008 |
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VENTURE CAPITAL
O Venture Capital (Capital de Risco) consiste em recursos direcionados para empresas nascentes e com perspectivas de crescimento rápido, que tenham potencial para se consolidar no mercado. É uma importante fonte de capital para as empresas nascentes. O Venture Capital é uma modalidade de investimento privado, que adquire participação societária em empresas que, na avaliação dos investidores, apresentem chance razoável de crescimento. Isso não quer dizer investimento em qualquer empresa. Mas sim, empresas inovadoras, que tenham potencial de transformar o mercado, crescer muito e gerar grande volume financeiro. Podemos citar alguns exemplos de empreendimentos que contaram com recursos de venture capital nos EUA, empresas como Digital Equipment Corporation, Aplle, Federal Express, Compaq, Sun Microsystms, Intel, Microsoft e Gerentech. Os mercados de Venture Capital viabilizam o direcionamento de recursos financeiros de longo prazo para o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias. Reúnem investidores interessados em assumir altos riscos face às expectativas de alto retorno e empresários dispostos a dividir a participação em empreendimentos de grande potencial de crescimento, perante um cenário de ativos insuficientes para garantia de empréstimos que apóiem o referido potencial de crescimento. Essa característica de ação pró-ativa dos investidores é fundamental para a compreensão da natureza do mercado de capital de risco, e deu sucesso: o Venture Capital não se limita a permitir o acesso ao capital, mas provê, simultaneamente, o apoio e suporte especializado à gestão, bem como contatos e relações de mercado. Formalmente, portanto, o Venture Capital é definido como investimento na forma de equity e/ou quasi-equity, provido por investidores individuais ou institucionais a empresas emergentes de grande potencial de crescimento e rentabilidade, associado a altos níveis de risco, por um prazo de, tipicamente, 2 a 10 anos e que, geralmente, inclui acompanhamento e apoio à gestão, em que os investidores esperam obter os seus lucros na forma de ganhos de capital. A face mais aparente do mercado de Venture Capital é formada pelo que Wetzel e Freear (1992) chamam a "fonte visível" (visible source) de capital. Tratam-se dos investidores formais, organizados em empresas ou fundos de investimento Essa face visível, convive com outra, quase invisível, consubstanciada em um mercado informal de capital. Este mercado, conhecido como o mercado de Angel Investors, representa um volume de investimento significativo nos mercado Venture Capital dos países desenvolvidos. Embora, muito menos conhecido que o mercado formal ou profissional, o mercado de Angel Investors é sem dúvida a maior fonte individual de capital de risco para empresas emergentes de base tecnológica. Os Angels Investors são reconhecidos como sendo um dos elementos chave para o desenvolvimento de empresas emergentes de base tecnológica. De forma geral, eles desempenham um papel muito ativo no investimento em empresas em estágios iniciais, do que a maioria dos investidores (de risco) institucionais, que relutam em realizá-los em função dos riscos relacionados a estes estágios iniciais de desenvolvimento das empresas. O mercado de Venture Capital apresenta uma grande diversidade. Os seus diferentes mecanismos tendem a estruturar-se de acordo com as diferentes necessidades das empresas à medida que estas percorrem os estágios de desenvolvimento da cadeia de inovação. O mecanismo de apoio cada vez mais comum, na fase de fundação, é a Incubadora. Nesta fase onde a maioria dos empreendedores tendem a não ter muito mais que uma idéia e um montante de capital inexpressivo, os empreendedores e as jovens empresas têm acesso a instalações físicas e a uma variedade de serviços de desenvolvimento empresarial (SDE), providos pela incubadora de forma a aumentar as suas chances de sobrevivência. Um dos serviços disponibilizados pelas incubadoras tecnológicas é facilitar o acesso a recursos financeiros, seja a partir de fundos obtidos junto das agências de apoio a P&D, ou apoiando as empresas na preparação dos seus planos de negócios para apresentação a investidores. Outro importante serviço provido pelas incubadoras é o chamado networking. Através destas redes, as empresas incubadas podem obter acesso a Angel Investors e aos fundos de investimento de capital de risco. Numa primeira fase, a maioria do investimento vem dos sócios fundadores ou de suas famílias e amigos (conhecido como love-money), canalizado, geralmente, tanto para o desenvolvimento do conceito do negócio, como para o desenvolvimento inicial do produto. Na fase seguinte, as empresas apresentam necessidades de capital adicional para financiar o seu desenvolvimento, notadamente visando à realização de pesquisas de mercado, contratação de recursos humanos, aquisição de equipamento e atividades de marketing. A jovem empresa demanda recursos de Capital Seed/Startup. Como mencionado acima, o mercado informal de capital de risco desempenha, nesta fase, um papel crítico no processo de capitalização das empresas. Baseado numa relação pessoal desenvolvida entre o investidor e o empreendedor, este mercado é essencialmente um mercado local. À medida que se avança na cadeia de inovação, as necessidades de capital são crescentes. Quando o processo de inovação atinge a fase do teste de mercado, as necessidades de capital aumentam significativamente. Nesta fase, empreendedores e empresas necessitam de formalizar as suas estruturas e planos, de molde a atrair um novo tipo de investidor cujas decisões são tomadas a partir de princípios estritamente de mercado. Quando inicia a produção em série, as necessidades de capital da empresa aumentam drasticamente. As empresas se voltam para o mercado profissional e institucional de capital de risco. Apesar de ainda nos estágios iniciais de desenvolvimento, as necessidades de capital e de suporte profissional vão muito além dos oferecidos pelos Angel Investors. À medida que a empresa cresce e desenvolve uma linha de produtos, aumentam as suas estruturas de marketing e vendas e, em alguns casos, torna-se necessária a expansão da planta e o desenvolvimento de novos produtos. A empresa entra no que é conhecido como o estágio de expansão, que durarão vários anos e provavelmente envolverá múltiplos rounds de investimento no mercado institucional de capital de risco. Este processo de crescimento, que pode levar de 2 a 10 anos, está orientado para um único objetivo por parte dos investidores - desinvestir através da venda, ao maior preço possível, da sua participação na empresa. Este é o estágio de Desinvestimento ou Saída. O desinvestimento pode tomar várias formas: a) através da venda da participação no mercado acionário, notadamente no mercado secundário, no caso de haver uma Oferta Pública de Venda (IPO, Initial Public Offering); b) por uma venda direta a outra empresa, normalmente, maior; c) através da recompra por parte dos empreendedores/gestores da empresa e finalmente; d) pela liquidação da empresa.
Este é claramente um dos fatores críticos para todo e qualquer investidor de risco, pois o seu retorno é, geralmente, obtido na forma de ganhos de capital obtidos na venda da sua participação na empresa. Se não se prevêem alternativas lucrativas para o desinvestimento, o investimento não se realizará.
Fonte de dados: www.venturecapital.gov.br - Adaptado do projeto "New Venture Financing no Brasil; Adaptado do artigo "Sources of Equity Capital" de Kathleen Borie, Sr.VP, Silicon Valley Bank.
“ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”
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Irilene
Vieira
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