Newsletter nº 324  -  Ano VIII  -  30 de Julho de 2008

 

 

FUSÕES E AQUISIÇÕES NO BRASIL

 

 

No Brasil a década de 1990 representou o início de uma nova era econômica, em que o país deixou de ser uma economia fechada e sem competitividade para se tornar uma economia aberta e globalizada, caracterizada principalmente pela redução da proteção tarifária, pelo fim das proibições impostas a um conjunto de importações e pela diminuição gradual das restrições não tarifárias. Essa mudança de perfil econômico proporcionou o acesso a matérias-primas, produtos intermediários e sobretudo a máquinas e equipamentos mais modernos e eficientes, fazendo aumentar a competitividade de grande parte dos segmentos da economia brasileira. O bem-sucedido Plano Real contribuiu para a eficácia desse novo cenário, fazendo com que o Brasil se inserisse rapidamente nesse mundo globalizado.

 O processo de globalização também incentivou o desenvolvimento das operações de fusões e aquisições de empresas no cenário mundial. Fatores como a necessidade de ganhos em escalas de produção; atuação em outras regiões geográficas; surgimento de novos produtos; e busca de sinergias financeiras e tecnológicas levaram grandes conglomerados empresariais a atuar em outros países que não os de sua origem, por meio de aquisições e parcerias.

 O processo das fusões e aquisições iniciou-se nos primeiros anos da década de 1990, de uma forma bastante tímida. A grande dificuldade que impedia uma maior agressividade nas transações entre empresas era a incerteza quanto ao futuro do país, motivada principalmente pelo descontrole absoluto da inflação brasileira, que impedia qualquer planejamento estratégico de médio e longo prazos tanto de empresas nacionais quanto estrangeiras.

 A partir de 1994, quando da implementação do Plano Real, o mercado de fusões e aquisições começou a deslanchar. Em 1990 foram fechados 186 negócios no Brasil; em 1998, 480; e em 1999, 493. Entre 1990 e 1994, 32% dos negócios efetivados envolveram capital estrangeiro contra 52% no período de 1995 a 1999, segundo o jornal Gazeta Mercantil de 30.01.02.

  Dentre os inúmeros casos de fusões e aquisições ocorridos no Brasil entre 1995 e 2000 cabe destacar: Kolynos, Banco Real, Banco Noroeste, Banco Boavista, Banco Francês e Brasileiro, Companhia Siderúrgica Tubarão, Tintas Coral, Clevite do Brasil, Iochpe-Maxion, Aracruz, Lacta, CGCL Laticínios, Arno, Unimar, Tigre, Paulista de Seguros, Salgema, Celite, Plascar, Pão Pulmann, Arisco, Metal Leve, Cofap, Banespa e a polêmica AmBev.

 No Brasil, o volume de negócios em 2002 foi 44,5% inferior ao dos primeiros cinco meses de 2001. O número de operações baixou de 109 para 71, segundo o jornal Gazeta Mercantil de 18.06.02. Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral sobre fusões e aquisições no Brasil, relativa ao período 2001/2002, com a participação de 196 dirigentes empresariais, 10 empresas selecionadas e 405 entrevistas ao nível operacional mais alto das organizações concluiu que:

 • 76% das empresas compradas apresentavam, no momento da compra, faturamento de até 30% dos resultados da empresa adquirente;

• 55,9% das aquisições verificadas foram motivadas diretamente por questões ligadas ao mercado, como o aumento da participação no mercado, redução do nível de incerteza e aquisição de marcas;

• 9,1% das empresas adquiridas lograram êxito porque as condições de compra eram muito favoráveis;

• 44,6% das empresas adquiridas não se encontravam em boa situação financeira quando ocorreu a transação.

 

 No caso brasileiro, o grande problema é a dificuldade do empresário brasileiro em saber como estruturar a sua empresa para o início do processo de fusões, aquisições e parcerias, quais as alternativas a adotar; quais os tipos de operações em uso; como se elabora um projeto e quais as suas fases; e, principalmente, qual é o valor da sua empresa para uma eventual operação de venda ou compra. Uma das dificuldades do empresário é precificar o valor do seu negócio. Torna-se, assim, muito importante o aprofundamento das discussões sobre este tema e sobre os métodos de avaliação de empresas usualmente utilizados, visando sempre estabelecer um preço justo para o negócio em análise.

 O processo de fusões e aquisições apresenta alguns problemas. Um levantamento da consultoria A. T. Kearney permitiu as seguintes constatações:

 • dos processos de fusões e aquisições que envolveram 25 mil empresas de 53 países entre 1988 e 2000, 75% não atingiram os seus objetivos estratégicos e 58% delas destruíram valor;

• as diferenças culturais entre as empresas representam o grande obstáculo para o sucesso das novas negociações;

• as principais dificuldades estão relacionadas às pessoas e a sua gestão. Ocorre em grande número a “perda da memória” da empresa adquirida;

• normalmente os executivos da empresa compradora querem dominar à outra, impondo sua cultura, e os resultados não são bons.

 

Hoje as fusões e aquisições mundiais no setor de energia cresceram 56,6% em 2007, com de 2.508 mil negócios totalizando US$ 600 bilhões, na comparação com o ano de 1996 o mercado da energia registrou 1.767 mil negócios de fusão e aquisições, totalizando 139 bilhões.

De 1996 para cá, as operações somaram crescimento de 331% em valores e 41% em quantidade de negócios realizados. O aumento de fusões e aquisições no setor energético é bastante perceptível. O aumento nos processos aquisitivos ocorre principalmente pelo interesse das grandes empresas unirem-se com as pequenas com o objetivo de atingir a verticalização e os ganhos de escala.

Diante dos fatos, os processos de fusão e aquisição no Brasil e no mundo são irreversíveis. Independentemente de qual setor da economia brasileira terá uma maior participação em negócios futuros, cabe aos empresários adequar suas empresas a esta nova ordem, profissionalizá-las e prepará-las para o futuro. Na condição de compradores e/ou vendedores, estes empresários deverão estar preparados para participar, mais cedo ou mais tarde, de um processo de negociação com outros grupos nacionais ou estrangeiros. A interdependência global chegou para ficar.

 

 Fonte de Dados: Revista FAEBUSINESS, nº 3, set/2002 Sérgio Antonio D. Guarita é administrador, especialista em Finanças pela

                           FGV/SP e professor da FAE Business School

                           Gazeta Mercantil -24/07/08

 

      “ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”

 

  Irilene Vieira
Gerente Regional São Paulo

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