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Newsletter nº 325 - Ano VIII - 20 de Agosto de 2008 |
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ALTERAÇÕES NA ESTRUTURA DE CAPITAL DAS COMPANHIAS QUE EFETUAM OFERTAS PÚBLICAS DE AÇÕES – IPO.
As alterações na estrutura de capital das companhias que efetuam suas ofertas iniciais de ações – IPO acabam não se sustentando ao passar do tempo mesmo quando ocorre em momentos de mercado aquecidos. A alavancagem na estrutura de capital que acontece antes de um IPO cai após o lançamento de ações, mas retorna em curto espaço de tempo. Analisando as ofertas públicas de ações no Brasil nos últimos anos verifica-se a disposição das empresas para assumir uma postura profissional na gestão de negócios. A divulgação de informações e as decisões de longo prazo, pode muitas vez provocar uma verdadeira revolução no dia-a-dia da empresa. No caso de empresas familiares os cenários de pré e pós IPO podem ser comparados sob alguns aspectos financeiros importantes e determinantes na continuidade do negócio. Primeiro aspecto importante é a obrigatoriedade na divulgação de informações, sendo que empresas negociadas na BOVESPA há anos acabam por cumprir somente o básico exigido pela bolsa, já em empresas que estão entrando agora, normalmente se preocupam em atingir níveis diferenciados em governança corporativa e também ter um relacionamento mais estreito com o investidor. As companhias sofrem pressão no que concerne a resultados de curto prazo e a cada trimestre são cobradas por uma margem EBITDA, que significa: Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização". Termo muito utilizado por analistas financeiros na análise de balanços de contabilidade de empresas de capital aberto. Para se chegar ao EBITDA de uma empresa ou empresas, é preciso utilizar a seguinte conta: lucro bruto menos as despesas operacionais, excluindo-se destas a depreciação e as amortizações do período. Dessa forma, é possível avaliar o lucro referente apenas ao negócio, descontando qualquer ganho financeiro (derivativos, aluguéis ou outras rendas que a empresa possa ter gerado no período). O cálculo do EBITDA se resume ao Lucro Operacional Líquido antes dos impostos e somam-se os juros, a depreciação e a amortização. Muitas empresas são cobradas por uma margem de EBITDA abaixo das expectativas ou por promessa de lucro por ação. Empresas que a até pouco tempo eram fechadas podem sentir um pouco de dificuldade em lidar com a situação. È necessário indicar ao investidor que ele veja o negócio no longo prazo. O segundo aspecto importante é à política de dividendos, o investidor pré-IPO podia ser só de longo prazo, mas atualmente também temos investidores de curto-prazo que muitas vezes tomam suas decisões na expectativa de distribuição de dividendos. O gestor deve indicar ao mercado que a capacidade de geração de caixa da empresa pode levá-lo a garantir um certo nível de dividendos sem prejuízos de novos investimentos. Deve-se ter um a política transparente demonstrando claramente o plano estratégico para os anos seguintes, de maneira que deve ficar muito claro o equilíbrio entre a distribuição de dividendos e a reserva de caixa para investimentos rentáveis. O terceiro aspecto importante diz respeito a capacidade de alavancagem. Com a abertura de capital, provavelmente oportunidades de captação por meio de dívida irão surgir. No momento do pré-IPO muitas empresas familiares são resistentes a aquisição de dívidas, isto tudo apenas para demonstrar que sua empresa tem uma ótima saúde financeira. Através da alavancagem financeira a empresa pode atingir um ótimo nível para sua estrutura de capital, ou seja, este nível é aquele que permite à empresa obter menos custo global de capital, o que pode ajudar a aprovar projetos de investimentos. O quarto aspecto importante diz respeito as decisões de investimentos, ou seja, se a empresa conseguiu ofertar bem sua ações é sinal que o mercado tem aprovado seus investimentos. Foi realizado um estudo pela “Equity Market Timimg” sobre os IPOs no Mercado Brasileiro realizados entre 2004 e 2009, excluído as empresas do setor financeiro, holdings e seguradoras. No total, 90 empresas foram avaliadas no estudo. "O objetivo era saber os efeitos, do ponto de vista da empresa, de realizar um IPO em um momento de mercado aquecido, se aproveitando as chamadas janelas de oportunidade para realizar a oferta". Para comparar as conseqüências desta escolha e se estes efeitos são sustentáveis ao longo do tempo, foi definido como período "quente" o mês em que o número de ofertas superou a média do período - acima de 1,9 IPOs. Já os períodos "frios" são os meses com ofertas abaixo desta média. O estudo confirma a tendência de empresas que fazem IPO no período quente lançarem um número maior de ações e, portanto, captarem mais recursos. Uma das conseqüências disto é o tratamento dado aos recursos conseguidos com a oferta. Outra conclusão importante do estudo diz respeito à mudança na estrutura de capital das empresas. O nível de alavancagem - relação dívida sobre ativo total - é praticamente igual no trimestre que antecede o IPO nos períodos de maior ou menor aquecimento. Logo após a oferta de ações, independentemente do período, há uma redução na alavancagem financeira. No entanto, em apenas sete trimestres, menos de dois anos após a oferta, observou-se que a alavancagem financeira de empresas que vêm a mercado em períodos quentes é revertida quase aos níveis pré-IPO. Ao avaliar as empresas que optam pelo período quente para fazer um IPO, o estudo constatou que esta opção é mais comum entre as menos rentáveis. A conclusão sobre o referido estudo é que o investidor deve avaliar bem o momento em que muitos IPOs estão sendo oferecidos no mercado porque nem sempre os períodos “quentes” são os melhores para investir. O importante mesmo é acompanhar o comportamento do mercado.
Fonte de dados: (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Jiane Carvalho) A coluna Criação de Valor - veiculado pela Capital Aberto.
“ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”
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Irilene
Vieira
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