Newsletter nº 327  -  Ano IX  -  08 de Maio de 2009

 

    

PRÉ-SAL DESAFIOS E OPORTUNIDADES

 

      Quantos são os assuntos além do futebol e da política, capazes de serem unânimes sobre sua grandiosidade e ao mesmo tempo objeto de debates acalorados e quase sempre apaixonados?

      Só mesmo o líquido negro e viscoso para alimentar debates de tal magnitude, nas mais diversas áreas, indo da política a geologia, da biologia a física.

      É evidente que o primeiro passo que devemos dar é compreender o tamanho da oportunidade, visto que a descoberta de novos reservatórios de petróleo na camada do pré-sal, a mais de 6000 metros de profundidade, proporciona ao país, justamente num momento em que novos reservatórios de grande porte, principalmente os de óleo de boa qualidade, são cada vez mais raros. Logo somos levados a crer que estamos diante de uma nova fronteira exploratória, e que se soubermos aproveitar, ela certamente nos conduzirá a um novo patamar.

      Indo de Santa Catarina ao Espírito Santo, não é possível ainda nem mesmo mensurar com precisão o tamanho das reservas que estaríamos tratando, os mais pessimistas falam de 40 bilhões de barris os mais otimistas chegam a expressiva quantia de 330 bilhões de barris, o que nos deixaria na frente da Arábia Saudita.

      Para o bem ou para o mal, essa descoberta coloca-se como divisor de águas no horizonte de desenvolvimento brasileiro, porém é fundamental lembrar que não faltam exemplos de países sentados em enormes reservas petrolíferas que nunca conseguiram transformar essa riqueza mineral em desenvolvimento econômico de longo prazo.

      O fato é que a razão deve dar lugar a emoção, e o assunto sempre que possível deve sair das raias do ufanismo político e permear os centros de negócios e bancos acadêmicos, pois os desafios tecnológicos que iremos enfrentar para exploração rentável, obriga-nos a extrair da ligação da academia com o mundo do trabalho, alianças sinérgicas, flexíveis e produtivas.

      As oportunidades estão postas para o mundo acadêmico, e elas vão exigir reformas curriculares, cursos de extensão readequados, pós-graduações mais específicas para o meio, tudo em uma velocidade nunca dantes feita, sob pena de deixarmos essa oportunidade passar.

      Somente a Petrobras precisará contratar cerca de 40.000 funcionários altamente qualificados, isso sem contar a mão de obra de parceiros e fornecedores, tudo num curto período, onde treinamento e formação andarão juntos a passos largos.

      As oportunidades estão postas em todas as áreas e dessa vez pela dimensão da descoberta não estarão restritas a um ou dois Estados, mas sim a duas regiões, o que por si só já é garantia de um desenvolvimento melhor distribuído.

      O mais interessante é que no momento não existe uma coordenação pra esse marco desenvolvimentista, seja pelas duvidas regulatórias seja pela não dimensão das macro áreas envolvidas.

      Cada desafio deve e só pode ser visto como oportunidade, vejamos alguns deles:

      Construção naval, sucateada nas últimas décadas essa industria para se reequipar precisa enfrentar paradigmas legais, notadamente tributários e societários, afinal com a premissa de que 50% do conteúdo seja nacional, os estaleiros precisarão serem reequipados, e aprenderem a trabalhar de forma modular, para ganho de tempo e escala, logo exigirá também a presença mais próxima de seus fornecedores e uma maior inteligência logística no processo construtivo. Afinal a previsão é da necessidade mínima de 42 navios, 146 barcos de apoio e cerca de 40 sondas.

      Logística, considerando-se a elevação do trabalho offshore, toda a infra-estrutura de logística deverá ser ampliada, porém existe inúmeros desafios, isso é claro, tratando-se apenas do transporte de pessoal e de suprimentos, boa parte dos helicópteros em uso não possuem autonomia para voar a campos que estão à 300 quilômetros da costa, o que vai demandar a construção de bases de transbordo, bem como uma estruturação de suprimentos em escala dessas bases, algo que hoje não é feito.

      Essas questões são apenas o ponto inicial para apresentarmos essa que hoje é a maior oportunidade de negócios para os diversos setores da economia brasileira.

      Poucas são as empresas que participarão desse negócio de forma isolada, logo inúmeras serão as joint-ventures que precisarão serem erguidas, de forma eficiente, inovadora, competitiva e segura.

      Os desafios estão postos e o papel da Machado & Associados, como estruturadora de negócios é evidenciar os desafios e desenhas as oportunidades nesse divisor da histórica econômica nacional.

 

  “ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”

 

  CHARLES MACHADO
CEO

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