Newsletter nº 329  -  Ano IX  -  25 de Maio de 2009

 

 

 

O NOVO MERCADO E A GOVERNANÇA CORPORATIVA

 

 

Irremediavelmente, a sociedade com intenção de futuramente abrir o capital social é obrigada a implantar um modus operandi translúcido que inspire confiança no mercado. Esse procedimento transitório não é possível de ser executado em um curto espaço de tempo, de forma que a companhia necessita de assessoria e planejamento agora para se incluir neste segmento posteriormente.

O Novo Mercado Bovespa foi lançado em 2001 com a proposta de incentivar o investimento às companhias que optassem por transparência e respeito aos investidores minoritários. Ele foi instituído como um segmento de listagem de ações emitidas por companhias mais amadurecidas no mercado de capitais, que optassem por seguir práticas de governança corporativa mais elaboradas, indo além daquelas determinadas como mínimo legal.

Empresas que se enquadrem a esse mercado exigente são consideradas merecedoras de confiança por parte do investidor. Da mesma forma, as companhias que adotem boas práticas de governança corporativa terão mais facilidade na captação de recursos e provavelmente maior distribuição de dividendos aos acionistas.

A tarefa árdua de adaptação aos padrões exigidos pelo Novo Mercado Bovespa cabe aos acionistas controladores. Entretanto, isso não configura novidade, uma vez que o art. 116, parágrafo único, da Lei das S/A já estabelecia o dever destes para com os demais acionistas e a comunidade em que atua. Esse fundamento legal não só dá vida, mas também vincula a existência da companhia a esse sistema ético de gestão empresarial.

Com a apresentação de um segmento mais apurado em termos de governança corporativa, comparado aos já existentes Nível 1 e Nível 2 da Bovespa, o Novo Mercado também introduziu algo inovador ao mercado brasileiro: a previsão de solução de eventuais conflitos por meio de arbitragem, que obrigatoriamente deve ser feita por meio da CAM (Câmara de Arbitragem do Mercado). Com a inserção de cláusula compromissória no estatuto social da companhia, todos os acionistas vinculam-se ao uso da arbitragem ao invés da máquina judiciária, na resolução de conflitos com a companhia e com outros acionistas. Isso pode reduzir custos e reduzir substancialmente o tempo de litígio.

De acordo com o Regulamento de Listagem do Novo Mercado, existe a obrigatoriedade de exclusiva emissão de ações ordinárias, assim como inexistência, atual ou futura, de partes beneficiárias. Já dentre as práticas de governança corporativa, houve a introdução de melhorias na informação prestada trimestralmente, através da exigência de apresentação de fluxo de caixa consolidado e consequente balanço anual, seguindo os padrões contábeis adotados nos Estados Unidos e na maior parte do mundo.

Além disso, é facilitado aos acionistas que não são controladores o acesso à informação. Devem ser mensalmente divulgadas as negociações envolvendo valores mobiliários e derivativos de emissão da companhia, além da publicação de um calendário anual de eventos corporativos planejados. Há também disposições acerca do tempo de mandato e composição do Conselho de Administração.  

            A adesão ao segmento é feito por meio de contrato a ser firmado entre a Bovespa e a companhia, por meio de seus controladores e administradores, sendo posteriormente necessária a aprovação em Assembleia Geral de alguns dos compromissos assumidos. Ademais, pode ser necessária a atualização do estatuto social para inclusão de clausula compromissória, por exemplo.

No caso de descumprimento de alguma regra estabelecida por parte da empresa, a Bovespa notificará a companhia e fixará prazo para a devida regularização, podendo ainda fixar multas, restringir a negociação de ações ou, em casos extremos, até cancelar o registro da sociedade no segmento.

De forma efetiva, as normas de governança corporativa trazidas pelo Novo Mercado Bovespa expõem as empresas a segmentos até então não tão explorados pelo mundo corporativo, como a sustentabilidade e a ética, mas que atualmente se tornaram pilares para o desenvolvimento no mundo empresarial consciente.

Companhias preocupadas com o foco moral de suas ações e com o meio ambiente fortificam laços com a comunidade, que juntamente com a transparência na apresentação dos resultados e no modo com que as decisões são tomadas, inspiram tranquilidade àquele que busca investir. Ademais, uma companhia que participa deste grupo seleto é vista como atual e competitiva, portanto merecedora de confiança do investidor.

Dessa forma, a adoção de práticas estabelecidas de governança corporativa reduz o custo de obtenção de capital a médio e longo prazo, a um custo relativamente baixo de implementação, feita por meio da contratação de uma consultoria empresarial que estabelecerá diretrizes, etapas e cronograma.

 

 

 

DANILO GARBIN MACHADO

Consultor 

danilo@machadoc.com.br

 

 

“ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”

     

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