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Newsletter nº 331 - Ano IX - 09 de Junho de 2009 |
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QUAL PIB? – INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE Acostumamo-nos
a utilizar o PIB (Produto Interno Bruto) como referência para a maioria das
análises, seja no campo econômico, político ou científico, pois em seu
conceito, ele serve para avaliar a contribuição produtiva das atividades
econômicas. Porém, é possível e bem provável que estejamos equivocados
em fazer essa leitura, embasados apenas nesse índice, que calcula o
comportamento econômico sem levar em consideração os interesses da população
e a sustentabilidade ambiental. O
PIB leva em consideração a adição de bens e serviços vendidos e
comprados, sem nenhuma distinção entre os que são ou não benéficos para
a sociedade. Exemplificando: como a destruição oriunda de guerras e
acidentes ambientais, como a Guerra do Iraque ou um navio petroleiro
naufragado, são contabilizadas positivamente, servindo para propagandear a
fortuna do PIB americano? A explicação é simples, apesar de esses eventos
causarem sofrimento e danos ao meio-ambiente eles movimentam a atividade
econômica, pois empresas são contratadas para que as costas sejam limpas e
indústrias bélicas trabalham a todo vapor para fornecer as armas aos
gloriosos soldados americanos. Tudo
que se é comercializável e que tenha valor monetário agregado vai se
contabilizar para aumentar o PIB e o crescimento econômico de um país, mas
isso não significa necessariamente que houve um desenvolvimento sustentável
ou um aumento do bem-estar individual e coletivo. O
cálculo do PIB não faz distinção do que é produtivo ou destrutivo. O
PIB não leva em conta a redução dos estoques de bens naturais do planeta.
Também não considera o trabalho voluntário, pois como não são
remunerados, não envolvem transações monetárias. Mas
vejamos; se um trabalho voluntário, como a Pastoral da Criança, que
desenvolve um programa de saúde preventiva, cuidando de milhões de crianças
de até seis anos de idade, com uma rede de cerca de 450 mil voluntárias,
reduz em 50% a mortalidade infantil e 80% das internações hospitalares,
fazendo com que se consumam menos medicamentos, desocupando leitos nos
hospitais e horas nos ambulatórios e pronto-socorros, proporcionando às
famílias um bem-estar maior, está reduzindo o PIB, pois sob o ponto de
vista das corporações da área de saúde, falta de doentes é falta de
clientes, algo está errado. Nessa
análise, não se conta que a saúde preventiva é muito mais produtiva, em
termos de custo-benefício, do que a saúde curativo-hospitalar, afinal, com
a redução nos gastos com medicamentos, o fato dos pais não perderem dias
de trabalho devido à doença dos filhos e terem mais noites tranquilas,
gera no final das contas um aumento da renda familiar que será direcionado
a outras despesas. Outro
equívoco percebido por economistas com relação ao PIB é a não
contabilização do tempo das pessoas. Ladislau Dowbor, no livro
“Democracia Econômica”, discorre no capítulo “A Economia do
Tempo”: “O tempo é o nosso principal recurso não renovável. O
seu desperdício, por nós mesmos ou por terceiros, é monumental. Todos
sabemos que time is money, mas poucos pensam no que estão comparando. O
tempo é o tempo da nossa vida. Dinheiro perdido pode ser recuperado. Já a
vida...” Como
não contabilizar as horas perdidas no trânsito de São Paulo? Se para cada
hora perdida no trânsito congestionado fosse fixado um valor de cinco reais
e considerando uma perda de 60 minutos por dia, por ano cada pessoa na
cidade teria perdido 1.825 reais, sendo que cinco milhões de pessoas se
deslocam diariamente, então por dia contabilizar-se-ia 25 milhões de
reais. Será que com uma conta dessas, não deveríamos olhar com mais
carinho a viabilidade econômica da construção de metrô e de outras
infraestruturas de transporte público? Não
há que se discutir o abandono do PIB como forma de avaliação do
crescimento econômico, mas devemos ter a compreensão de que ele é
limitado, pois mede apenas um aspecto, que é o fluxo de uso de meios
produtivos. Não nos mostra para onde vamos; apenas se vamos numa velocidade
maior ou menor. Precisamos de indicadores que nos mostrem o que produzimos,
a que custo, com que prejuízos ou vantagens ambientais e para quem.
Buscamos uma qualidade de vida melhor e a economia ainda não encontrou a fórmula
exata para demonstrar se estamos avançando para esse nosso objetivo. “Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa.” Banner
colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia |
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