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Newsletter nº 332 - Ano IX - 16 de Junho de 2009 |
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PRÉ-SAL E
O FIM DOS ROYALTIES A
exploração de petróleo e gás na camada pré-sal exige uma rediscussão não
apenas do marco regulatório, mas com considerável atraso na legislação
que regra a distribuição de royalties do petróleo. O
momento para se rediscutir é ímpar, afinal desde 1864, quando ocorreu a
primeira outorga de concessão para exploração de petróleo, na Bahia, o
Brasil não tinha no viscoso líquido, uma influência tão positiva a ponto
de poder ser um divisor de águas em nossa história econômica. Dessa
vez sua presença exige uma agenda de mudanças pontuais, alimentadas pelo
espírito do desenvolvimento nacional e da geração de oportunidade a
todos. Logo
a discussão dos royalties se faz necessária, afinal se por um lado a sua
distribuição aos municípios atingidos por hidrelétricas faz todo o
sentido do universo, a chamada reparação por dano a cidades que estarão a
centenas de quilômetros das bacias sedimentares beira o surreal. Justificar
que a transferência do ouro negro nesse instante esta imune ao ICMS, e com
isso representa perda não serve, afinal se tal raciocínio prevalece-se,
que tratamento deveríamos dar aos Municípios onde as empresas instaladas são
exportadoras?
No momento os royalties, que incidem sobre a produção mensal do campo
produtor, são recolhidos mensalmente pelas empresas concessionárias por
meio de pagamentos efetuados para a Secretaria do Tesouro Nacional, sendo
repassado diretamente aos entes beneficiados. O Cálculo do repasse é feito
pela ANP de acordo com o estabelecido pelas Leis
nº 9.478/97 e nº
7.990/89. A partir da Lei
nº 9.478/97, a alíquota dos royalties passou de 5% para até 10% da
produção, podendo ser reduzida a um mínimo de 5%, tendo em vista os
riscos geológicos, as expectativas de produção e outros fatores
pertinentes.
Evidentemente, o que se pretende discutir aqui não é se é ou não devido
o pagamento de royalties, mas sim o destino e a necessidade de vinculação
dessa receita, para que a mesma exerça o seu papel multiplicador,
convertendo-se em investimento. Muito
ao contrário do que se assiste hoje, onde algumas prefeituras, melhor
aquinhoadas com a distribuição, acabam por dar destino exótico a essas
receitas, patrocinando clubes de futebol, festas públicas e não realizando
projetos que contribuam com o desenvolvimento das pessoas que lá moram. Sendo
as riquezas do nosso subsolo bem da União, é fundamental que o recebimento
dos royalties advindo da exploração da mesma tivesse preponderantemente um
caráter majoritariamente nacional, ao contrário do que hoje ocorre. Os números
por si só dão a exata dimensão dessa distorção, pois o Estado do Rio de
Janeiro concentra 73,73% do total dos royalties destinado aos Estados, sendo
que desse valor 10 Municípios são responsáveis por 60% do destino dessa
receita. As
distorções são tamanhas que se considerássemos o retorno per capita por
habitante dos royalties recebidos, cada habitante do Município de Quisamã
recebe R$ 7 mil, enquanto que o morador da cidade de Belford Roxo, recebe R$
13,00 uma distorção descabida e que seguramente não vai ao encontro do
que pensava o legislador ao regulamentar a matéria. A
prova definitiva do mau uso dessas receitas pode ser identificada no
levantamento feito pela Reuters, com base no Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb) e
Partindo-se da referência de 2007, onde o Brasil alcançou Ideb de 4,2 nos
anos iniciais do ensino fundamental (
Confrontando-se os índices nacionais com o estado do Rio de Janeiro, o
maior beneficiado dos recursos do petróleo, o Ideb fica aquém do desejado:
3,8 pontos para os anos iniciais do ensino fundamental, 2,9 nos anos finais
e 2,8 no ensino médio. Apenas o município de Rio das Ostras superou dois
dos três patamares brasileiros.
Deve-se destacar que esse não é um problema apenas do Rio, pois nos seis
principais estados produtores, apenas um dos 18 índices é igual à média
nacional; o restante está abaixo dos patamares brasileiros.
Notadamente os índices piores são sempre os dos anos finais e de ensino médio,
justamente os definidores do futuro profissional, como se conclui na leitura
dos dados de Mossoró (RN), Esplanada (BA), Coari (AM) e Carmonópolis (SE),
que mais recebem repasse de royalties, segundo a ANP, e apesar disso
apresentam níveis ruins. No
geral o estudo mostra que a elevada transferência de recursos promove
resultados tímidos no sistema educacional dessas cidades. A
norma atual já autoriza o uso de recursos para a construção de escolas,
mas proíbe a utilização para verbas de pessoal do quadro permanente para
a contratação de professores, pesquisadores e outros operadores
intelectuais dispostos a agregar valor na formação dessa mão de obra. Aqui
utilizamos apenas a referência educação para comprovar o equívoco na
distribuição desses recursos. Até
o momento, não se tem idéia precisa nem do volume de investimentos necessários
para a extração do petróleo como tão pouco do seu custo de exploração
em escala, porém temos a única afirmativa de que independentemente da
dimensão dessas riquezas, o esforço para produção das mesmas vai se da,
com os recursos que temos hoje, logo cada passo deve ter uma articulação
comum. Os
desafios serão imensos, e é fundamental ter uma articulação em todos os
seus planos, seja financeiro, tecnológico, político ou educacional. A nova
realidade financeira mundial reservou ao Brasil um papel de destaque, e o
mercado financeiro já tem mostra de que possuímos gente capacitada para
fazer de bons projetos ótimos negócios.
A construção desses projetos vai requerer mão de obra qualificada, e deve
estar ai o destino vinculado dos recursos dos royalties, seu emprego no
ensino profissionalizante e na formação das condições humanas de uma indústria
de base. Não é preciso dar fim aos royalties dos Estados e Municípios, mas sim aperfeiçoar a finalidade. |
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CHARLES MACHADO CEO charles@machadoc.com.br “ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”
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