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Newsletter nº 332 - Ano IX - 16 de Junho de 2009 |
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TRIPÉ DA SUSTENTABILIDADE A
imagem do tripé é perfeita para entender a sustentabilidade. No tripé estão
contidos os aspectos econômicos,
ambientais e sociais, que devem interagir, de forma harmoniosa, para
satisfazer o conceito. Pelo parâmetro anterior, uma empresa era sustentável
se estivesse economicamente saudável, ou seja, tivesse um bom patrimônio e
um lucro sempre crescente, mesmo que houvesse dívidas. Para um país, o
conceito incluía um viés social. Afinal, o desenvolvimento teria que
incluir uma repartição da riqueza gerada pelo crescimento econômico, seja
por meio de mais empregos criados, seja por mais serviços sociais para a
população em geral. Esse critério, na maioria das vezes, é medido pelo Produto
Interno Bruto (PIB) do país, o que para o novo conceito é uma
medição limita. A perna ecológica do tripé trouxe, então, um problema e
uma constatação. Se os empresários e os governantes não cuidassem do
aspecto ambiental poderiam, em um futuro não tão longínquo, ficar sem matéria-prima
e talvez, sem consumidor, além do fantasma de contibuir para a destruição
do planeta. Assim,
o “triple bottom line” ficou também conhecido como os 3 Ps (People,
Planet and Proift, ou, em português, PPL - Pessoas, Planeta e Lucro). Levando
em conta a administração de uma empresa, de uma cidade, estado ou país
podemos descrever esses aspectos. É importante verificar que esses
conceitos podem ser aplicados tanto de maneira macro, para um país ou próprio
planeta, como micro, sua casa ou uma pequena vila agrária. People
– Refere-se ao tratamento do capital
humano de uma empresa ou sociedade. Além de salários
justos e estar adequado à legislação trabalhista, é preciso pensar em
outros aspectos como o bem estar dos seus funcionários, propiciando, por
exemplo, um ambiente de trabalho agradável, pensando na saúde do
trabalhador e da sua família. Além disso, é imprescindível ver como a
atividade econômica afeta as comunidades ao redor. Não adianta, por
exemplo, uma mineradora pagar bem seus funcionários, se ela não presta
nenhuma assistência para as pessoas que são afetadas indiretamente com a
exploração como uma comunidade indígena que é vizinha do empreendimento
e que é afetada social, econômica e culturalmente pela presença do
empreendimento. Nesse item, está contido também problemas gerais da
sociedade como educação, violência e até o lazer. Planet
– Refere-se ao capital
natural de uma
empresa ou sociedade. É a perna ambiental do tripé. Aqui assim como nos
outros itens, é importante pensar no pequeno, médio e longo prazo. A princípio,
praticamente toda atividade econômica tem impacto ambiental negativo. Nesse
aspecto, a empresa ou a sociedade deve pensar nas formas de amenizar esses
impactos e compensar o que não é possível amenizar. Assim uma empresa que
usa determinada matéria-prima deve planejar formas de repor os recursos ou,
se não é possível, diminuir o máximo possível o uso desse material,
assim como saber medir a pegada
de carbono do seu processo produtivo, que, em outras palavras,
quer dizer a quantidade de CO2 emitido pelas suas ações. Além
disso, obviamente, deve ser levado em conta a adequação à legislação
ambiental e a vários princípios discutidos atualmente como o Protocolo
de Kyoto. Para uma determinada região geográfica, o conceito é
o mesmo e pode ser adequado, por exemplo, com um sério zoneamento econômico
da região. Profit
–
Trata-se do lucro. Não é muito difícil entender o que é o conceito. É
resultado econômico positivo de uma empresa. Quando se leva em conta o
triple bottom line, essa perna do tripé deve levar em conta os outros dois
aspectos. Ou seja, não adianta lucrar devastando, por exemplo. Além
dos aspectos listados nos três Ps, o desenvolvimento sustentável deve ser
pensando por meio de outros aspectos, digamos, mais subjetivos. Trata-se das
questões políticas e culturais. Eles são importantes para qualquer
tipo de análise do tripé já que leva em conta a premissa de que tudo está
interligado. Os aspectos
políticos têm a ver com a coerência entre o que é
esperado do desenvolvimento sustentável e a prática adotada através das
políticas adotadas seja por uma empresa ou por uma determinada sociedade.
Assim, não dá para falar em adotar o tripé se a empresa, por exemplo,
adota uma política inflexível de negociação com os funcionários ou não
acompanha a legislação ambiental condizente. Os aspectos culturais devem ser levadas em conta o tempo todo. Quando a empresa está inserida em uma determinada sociedade, ela deve saber as limitações e vantagens culturais da sociedade que a envolve. O exemplo mais gritante é o da empresa que não se relaciona harmoniosamente com a comunidade ao redor de sua área. Se ao lado de uma planta industrial existe uma favela, por exemplo, por que não absorver seus moradores na fábrica, ao invés de aumentar investimentos em segurança particular? Além disso, a cultura de determinada localidade pode ser útil para entender melhor a dinâmica da biodiversidade local, por exemplo.
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Vanessa de Carvalho Bonafé
“O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador." |
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