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Newsletter nº 334 - Ano IX - 01 de Julho de 2009 |
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OPA! OS IPOs ESTÃO VOLTANDO A abertura de capital da VISANET,
promovida na última semana conforme havíamos adiantado serviu, de parâmetro
para o que deve ocorrer nos próximos meses seja pelo seu gigantismo, ou
seja pela valorização das ações após o pregão inicial que já
ultrapassaram a casa de 17%. O fato era que esse acontecimento era
mais do que esperado em todo mercado financeiro, afinal o mesmo não
serviria apenas como indicativo temporal, mas sim um denotativo qualitativo
do desenho desse novo mercado. A condenação exemplar e simbológica
de Bernard Madoff, em menos de um ano após a sua prisão imprime os sinais
imediatos que o mercado de capitais precisa dar ao mundo, o de que os
atalhos capitais às custas da poupança pública, podem até ser atrativos,
mas seguramente não são o melhor caminho. O
autor confesso do maior golpe financeiro da história, foi sentenciado ao máximo
de 150 anos atrás das grades por um crime que seu juiz qualificou de fraude
"extraordinariamente demoníaca" que abalou a fé do país em seu
sistema financeiro e legal e destruiu ricos e pobres, sem distinção. A
sentença, cuja dosimetria me parece exagerada, tem muito mais a função
preventiva do que de ser justa, afinal a justiça americana mandou um
recado: "Canalhas arrependei-vos!" Em
nenhum momento a sentença resgatará os valores que as vítimas perderam,
afinal mais do que suas poupanças ali estavam depositada a sua confiança não
só em Madoff, mas no sistema financeiro e dos reguladores financeiros. O
caso também apontou as falhas dos fiscais financeiros, particularmente a
SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, que não apurou
o crime a despeito de repetidos alertas. E
deve ter uma ressonância implacável nas futuras operações estruturadas. Os
novos IPOs, devem vir acompanhados de um olhar cético aos chamados empréstimos
ponte e seguramente serão absurdamente seletivos quanto as empresas. Entender
que novos projetos não terão espaço na abertura de capital é incorrer em
erro pela generalização, afinal isso fere a lógica do risco medido e não
desmedido do capital. Novos
projetos terão sim espaço, porém se tiverem estruturados em pessoas que já
tenham construídos casos de sucesso, nesse aspecto o mercado não deve
abrir espaço para novos atores. O
episódio de Madoff se entrelaça inequivocamente, com as novas aberturas de
capital, pois nelas também estarão depositadas a crença de milhões de
investidores, que buscam no projeto alheio uma boa alternativa de ganho. Em
todo o processo, ardilosamente Madoff, puxou à responsabilidade pra si,
deixando de fora, filhos, mulher e irmão, com o claro objetivo de retirá-los
do pólo passivo da ação crime, mais do que uma estratégia de defesa,
este senhor em seu último ato procura novamente ludibriar a inteligência
de toda a sociedade, afinal como não culpar a esposa que era contadora da
empresa, ou os filhos que dele eram diretores, ou iríamos imaginar que Ele
fez tudo sozinho? É
justamente essa forma de pensar, que a nova formatação do mercado de
capitais deve varrer, pois inteligência e sabedoria não podem ser
confundidas com a Lei de Gerson.
A seletividade, a segurança e o longo prazo estarão presentes O
Valuation seguirá rígidos controles, e abertura de capital, para o
pagamento considerável de empréstimos ponte, certamente não será visto
nem nesse nem no próximo ano. Diga-se de passagem os empréstimos ponte serão
as primeiras vítimas, logo o pessoal de renda fixa terá de mirar em outros
negócios. Certamente
será o fim do dinheiro fácil, afinal quem constrói um projeto sabe que
ele não existe. Outra figura que nesse novo mercado, não só pela
regulamentação, mas pelo ceticismo do mercado deve ficar fora nos próximos
dois anos serão os lançamentos de BDRs, pois em boa parte das vezes, elas
não possuem o nível de transparência que os investidores estarão
exigindo. É só lembrarmos que algumas empresas que estavam em 2008 na fila
das BDRs, hoje estão em Recuperação judicial. Os
novos IPOs, ocorrerão sim também, para projetos que estavam na fila, mas
que devem retornar após um face lift, devendo os mesmos ocorrerem ainda no
último trimestre do ano e no primeiro trimestre de 2010, dependendo é
claro no estrago que a crise mundial provocou nos seus números. Quanto
ao tamanho dos novos IPOs, não entendemos que eles estarão restritos a
aberturas superiores a R$ 1 bilhão, pois esses valores iniciais não servem
como única referência, e até mesmo porque não encontraríamos mais do
que 30 empresas nesses patamares financeiros dispostas a uma segunda emissão
nos próximos 12 meses. Cremos
sim que de fato o mercado deve ficar mais restrito, o que no primeiro
momento deve inviabilizar o Bovespa Mais, e que no primeiro semestre de 2010
as aberturas dificilmente serão inferiores a R$ 500 milhões. Por certo, devemos ter sim uma aceleração no processo de fusões, que viabilizem futuras aberturas de capital, e a Machado & Associados, estará estruturando negócios com esse perfil, pois cremos que a abertura mais que de uma oportunidade é uma questão de estratégia num mundo globalizado. |
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CHARLES MACHADO CEO charles@machadoc.com.br “ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”
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