Newsletter nº 334  -  Ano IX  -  01 de Julho de 2009

 

 

SUSTENTABILIDADE E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Quantos anos ainda distanciam as empresas da sustentabilidade? Na opinião de especialistas e pesquisadores, é possível falar em longo prazo. Mas ninguém sabe exatamente quanto tempo, eles apenas estimam horizontes de 3 a 5 anos, no mínimo, o que pode, a princípio, parecer pouco, mas não é, uma vez que esse prazo é considerado longo para empresas, especialmente as brasileiras, novas e ainda caminhando na prática da sustentabilidade.

Se levarmos em consideração que o tempo de vida de um alto executivo nas empresas poucas vezes chega a mais de dois anos, o tempo dos planejamentos estratégicos que normalmente é de 6 a 8 anos, é tempo demais para o profissional. “Eles precisam de resultados mais imediatos e os poucos profissionais que vêm investindo nisso, alcançam metas após alguns anos”, explica um membro do Instituto de Marketing Industrial (IMI) e professor da Escola de Marketing Industrial.

Os resultados das pesquisas mostram que empresas percebem a relevância da atuação sustentável, demonstradas através de ações consistentes, mas, percebe-se também, que ainda há um longo caminho a ser percorrido antes que o tema realmente integre os planejamentos estratégicos.

O Instituto de Marketing Industrial (IMI) que constituído por dirigentes e executivos de grandes e conceituadas empresas de diversos setores da economia, realizou pesquisa diretamente com altos executivos de empresas como Votorantim Celulose e Papel, Nestlé, Gerdal, Caraiba Metais, Grupo Ultra (Ultragaz, Ipiranga, Oxiteno, Ultracargo), entre outras. O foco das conversas foi o estágio em que se encontram as ações relacionadas à sustentabilidade no planejamento estratégico das companhias.

O levantamento mostrou que 50% das empresas ainda são insensíveis ao tema; 30% são sensíveis, mas não desenvolvem ainda atividades voltadas à sustentabilidade e apenas 20% têm um grau maior de sensibilidade e envolvimento com ações sustentáveis - que privilegiam efetivamente o bem-estar social e a preservação ambiental. As contribuições foram dadas por representantes de diferentes setores, tais como o de papel e celulose, energia, eletroeletrônicos, agrícola, metalúrgico, químico, siderúrgico, têxtil, telecomunicações e acadêmico, entre outros.

As ações de sustentabilidade, segundo o coordenador da pesquisa, ainda têm caráter fragmentado, não considerando uma abordagem integrada entre o econômico, o social e o ambiental. O que predomina é uma visão imediatista com resultados de curto prazo. Em geral, a maior preocupação é com o social, em decorrência da necessidade de aprovação da sociedade. O ambiental não é visto como algo novo e nesta área identifica-se uma ênfase maior em investimentos voltados a energia renovável e reutilização de água.

Como conclusão, embora haja alguma integração entre esforços de sustentabilidade e planejamento estratégico, a sinergia é parcial na maior parte dos casos.

O que se denota é que existe uma clara consciência da necessidade de agir e de que a ação coordenada trará resultados mais consistentes. Mas a geração que hoje comanda as empresas foi formada no racional e ainda está procurando a melhor estratégia para lidar com o intangível e o emocional - a realização e mensuração da eficácia das atividades socioambientais.

Hoje, as empresas estão conscientes de que não há como ignorar a importância da sustentabilidade para o seu negócio, independente do setor de atuação. Por isso, o discurso começa lentamente a aproximar-se da prática. O comprometimento socioambiental, desde que legítimo, passa a integrar a comunicação das companhias. Porém, a tendência é que as ações tornem-se cada vez mais conhecidas dos diversos departamentos e permeiem todas as frentes de negócios. A questão é avaliar o quanto este processo será acelerado no curto e médio prazos.

O certo é que quando a responsabilidade socioambiental é conectada com o negócio é mais simples incluí-la no planejamento estratégico. Trata-se de um movimento que não pode mais andar para trás e que, para ser verdadeiro, tem que ser exercitado de dentro para fora.

 

 

 

Vanessa de Carvalho Bonafé

vanessa@machadoc.com.br

 

 

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