Newsletter nº 336  -  Ano IX  -  14 de Julho de 2009

 

 

 

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA – CPC 03  

A demonstração do Fluxo de Caixa passou a ser um relatório obrigatório pela contabilidade para todas as sociedades de capital aberto ou  com patrimônio liquido superior a dois milhões de reais.  

Esta obrigatoriedade vigora desde 01.01.2008, por força da Lei 11.638/2007, e desta forma torna-se mais um importante para a tomada de decisões.  

A Deliberação CVM 547/2008 aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 03, o qual trata do assunto em epigrafe.  

OBJETIVO  

A)      As informações dos fluxos de caixa de uma entidade são úteis para proporcionar aos usuários das demonstrações contábeis uma base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como suas necessidades de liquidez. As decisões econômicas que são tomadas pelos usuários exigem avaliação da capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa bem como da época e do grau de segurança de geração de tais recursos.  

B)      Este Pronunciamento fornece informação acerta das alterações históricas de caixa e equivalentes de caixa de uma entidade por meio de demonstração que classifique os fluxos de caixa do período por atividades operacionais, de investimento  e de financiamento.  

ALCANCE  

A)      A empresa deve elaborar demonstração dos fluxos de caixa de acordo com os requisitos deste Pronunciamento e apresentá-la como parte integrante das suas demonstrações contábeis divulgadas ao final de cada período.  

B)      Os usuários das demonstrações contábeis se interessam em conhecer como a entidade gera e usa os recursos de caixa e equivalentes de caixa, independentemente da natureza das suas atividades, mesmo que o caixa seja considerado como produto da entidade, como é o caso de instituição financeira. As empresas necessitam de caixa essencialmente pelas mesmas razões, por mais diferentes que sejam a suas principais atividades geradoras de receitas. Elas precisam dos recursos de caixa para efetuar suas atividades geradoras de receitas. Elas precisam dos recursos de caixa para  efetuar suas operações, pagar suas obrigações e prover um retorno para seus investidores. Assim sendo, este Pronunciamento requer que todas as entidades apresentem uma demonstração dos fluxos de caixa.  

BENEFICIOS DAS INFORMAÇÕES DO FLUXO DE CAIXA  

A)      A demonstração dos fluxos de caixa, quando usada em conjunto com as demais demonstrações contábeis, proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos de uma empresa, sua estrutura financeira (inclusive sua liquidez e solvência) e sua capacidade para alterar os valores e prazos dos fluxos de caixa, a fim de adaptá-los  às mudanças nas circunstancias  e oportunidades. As informações sobre os fluxos de caixa são úteis para avaliar a capacidade  da empresa em gerar recursos dessa natureza e possibilitam  aos usuários desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente de futuros fluxos de caixa de diferentes empresas. A demonstração dos fluxos de caixa também melhora a comparabilidade dos relatórios de desempenho operacional para diferentes empresas porque reduz os efeitos decorrentes do uso de diferentes tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos.  

B)      Informações históricas dos fluxos de caixa são freqüentemente usadas como indicador do valor, época e grau de segurança dos fluxos de caixa futuros. Também são úteis para verificar a exatidão das avaliações feitas, no passado, dos fluxos de caixa futuros, assim como para examinar a relação entre a lucratividade e os fluxos de caixa líquidos e o impacto de variações de preços.  

CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA  

A)      Caixa compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis.  

B)      Equivalentes de caixa são aplicações financeiras  de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor.  

  1. Os equivalentes de caixa são mantidos  com a finalidade de atender a compromissos de caixa de curto prazo e não para investimento ou outros fina. Para ser considerada equivalente de caixa, uma aplicação financeira dever conversibilidade imediata em um montante conhecido de caixa e estar sujeita  a um insignificante risco de mudança de valor.
  1. Empréstimos bancários são geralmente considerados como atividades de financiamento. Assim. Deverão ser considerados os saldos bancários a descoberto, decorrentes de empréstimos obtidos por meio de instrumentos como cheques especiais ou contas correntes garantidas. A parcela não utilizada do limites dessas linhas de crédito não devera compor os equivalentes de caixa.
  1. Os fluxos de caixa excluem movimentos entre itens que constituem caixa ou equivalentes e caixa porque esses componentes, são parte da gestão financeira. da empresa e não parte de suas atividades operacionais, de investimentos ou de financiamentos. A gestão do caixa inclui o investimento do excesso de caixa em equivalentes de caixa.

APRESENTAÇÃO DE UMA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA  

A)      A demonstração dos fluxos de caixa deve apresentar os fluxos de caixa do período classificados por atividades operacionais, de investimentos e de financiamento.  

B)      A empresa deve apresentar seus fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais, de investimento e de financiamento da forma que seja mais apropriada a seus negócios. A classificação por atividade proporciona informações que permitem aos usuários avaliar o impacto de tais atividades sobre a posição financeira da empresa e o montante de seu caixa e equivalentes de caixa. Essas informações podem também ser usada para avaliar a relação entre essas atividades.  

C)      Uma única transação pode incluir fluxos de caixa classificados em mais de uma atividade. Como exemplo, quando o desembolso de caixa para pagamento de um empréstimo inclui tanto  juros como o principal, a parte dos juros pode ser classificada como atividade operacional, mas a parte do principal deve ser classificada como atividade  de financiamento.  

Este pronunciamento deve ser aplicado para as empresas de Capital aberto ou também as empresas que não possuem seu Capital aberto porém, cujo patrimônio liquido  seja igual ou superior a dois milhões de reais.  

                                                                       Fonte: Comitê de Pronunciamentos Contábeis

   

  Sergio Segat
Consultor Contábil
sergio@machadoc.com.br

“ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”

 

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