|
|
||||
|
|
Newsletter nº 338 - Ano IX - 31 de Julho de 2009 |
|||
|
AJUSTE A VALOR PRESENTE – CPC 12 – Parte 2 Continuando o artigo da semana passada, finalizaremos a abordagem sobre o CPC 12, discorrendo a respeito de seus riscos, incertezas, sua relevância e confiabilidade, custos, benefícios, passivos, efeitos e demais diretrizes relevantes. Risco
e incerteza: taxa de desconto Ao se utilizarem, para fins contábeis, informações
com base no fluxo de caixa e no valor presente, incertezas inerentes são
obrigatoriamente levadas em consideração para efeito de mensuração,
conforme já salientado em itens anteriores deste Pronunciamento. Do mesmo
modo, o “preço” que participantes do mercado estão dispostos a
“cobrar” para assumir riscos advindos de incertezas associadas a fluxos
de caixa (ou em linguagem de finanças “o premio pelo risco”) deve ser
igualmente avaliado. Ao se ignorar tal fato, há o concurso para a produção
de informação contábil incompatível com o que seria uma representação
adequada da realidade, imperativo da Estrutura Conceitual para Elaboração
e Apresentação das Demonstrações Contábeis, Pronunciamento Conceitual
Brasido dês CPC. Por outro lado, não são admissíveis ajustes arbitrários
para prêmios por risco, mesmo com a justificativa de quase impossibilidade
de se angariarem informações de participantes de mercado, pois assim
procedendo, é trazido viés para a mensuração. Em
muitas situações não é possível se achegar a uma estimativa confiável
para o premio pelo risco ou, em sendo possível, o montante estimado pode
ser relativamente pequeno se comparado a erros potenciais nos fluxos de
caixa estimados. Nesses casos, excepcionalmente, o valor presente de fluxos
de caixa esperados pode ser obtido com a adoção de taxa de desconto que
reflita unicamente a taxa de
juros livre de risco, desde que com ampla divulgação do fato e das razões
que levaram a esse procedimento. Não
obstante, em geral os participantes de mercado são qualificados como tendo
aversão a riscos ou a aversão a perdas e procuram compensações para
assunção desses riscos. Em ultima analise, o objetivo de se incluir
incerteza e risco na mensuração contábil é replicar na, extensão e na
medida possível o comportamento do mercado no que concerne a ativos e
passivos como fluxos de caixa incertos. A
tarefa de calcular riscos não é das mais simples. Por outro lado, a teoria
das finanças oferece alguns modelos que, apesar de suas limitações (todo
modelo tem a sua), podem ser utilizados para tal fim. Modelos econométricos
parcimoniosos puramente estatísticos podem ser do mesmo modo adotados,
desde que suportados por premissas economicamente validas e reconhecidos no
mercado. Equipe multidisciplinar de profissionais pode ser requerida em
determinadas circunstancias na execução desta tarefa. Relevância
e confiabilidade Conforme já abordado neste Pronunciamento, a adoção
pela Contabilidade de informações com base no valor presente de fluxo de
caixa, inevitavelmente, provoca discussões em torno de suas características
qualitativas: relevância e confiabilidade. Emitir juízo de valor acerca do
balanceamento ideal de uma característica em função da outra, caso a
caso, deve ser um exercício recorrente para aqueles que prepara e auditam
demonstrações contábeis. Do mesmo modo, o julgamento de relevância do
ajuste a valor presente de ativos e passivos de curto prazo deve ser
exercido por esses indivíduos, levando em consideração os efeitos
comparativos antes e depois da adoração deste procedimento sobre itens do
ativo, do passivo, do patrimônio liquido e do resultado. Objetivamente, sob determinadas circunstâncias, a
mensuração de um ativo ou um passivo a valore presente pode ser obtida sem
maiores dificuldades, case de disponha de fluxos contratuais com razoável
grau de certeza e de taxas de desconto observáveis no mercado. Por
outro lado, pode ser que em alguns casos os fluxos de caixa tenham que ser
estimadas com alto grau de incerteza, e as taxas de desconto tenham que ser
obtidas por modelos voltados até fim. O peso dado para a relevância nesse
segundo caso é maior que o dado para a confiabilidade, uma vez que não
seria apropriado apresentar informações com base em fluxos nominais.
Conforme seja o caso, a abordagem tradicional ou de fluxo de caixa esperado
dever ser eleita como técnica para computo de ajuste a valor presente. Custos
x benefícios Na elaboração de demonstrações contábeis
utilizando informações com base no fluxo de caixa e no valor presente é
importante ter em mente o que orienta a Estrutura Conceitual para a Elaboração
e Apresentação das Demonstrações Contábeis, Pronunciamento Conceitual Básico
deste CPC a seguir reproduzido: “O equilíbrio entre o custo e o beneficio é uma
limitação de ordem prática, ao invés de uma característica qualitativa.
Os benefícios decorrentes da informação devem exceder o custo de
produzi-la. A avaliação dos custos e benefícios é, entretanto, em essência,
um exercício de julgamento. Alem disso, os custos não recaem,
necessariamente, sobre aqueles usuários que usufruem os benefícios. Os benéficos
podem também ser aproveitados por outros usuários, alem daqueles para os
quais as informações foram preparadas. Por exemplo, o fornecimento de
maiores informações aos credores por empréstimos pode reduzir os custos
financeiros da entidade. Por essas razões, é difícil aplicar o teste de
custo beneficio em qualquer caso especifico. Não obstante, os órgãos
normativos em especial, assim como os elaboradores e usuários das demonstrações
contábeis, devem estar conscientes dessa limitação”. Assim, a depender do conjunto de informações disponíveis
e do custo de obtê-las, a entidade pode, ou não, recorrer a modelos
econometricos mais sofisticados para chegar a uma taxa de desconto para um
dado período; pode, ou não, recorrer a modelos de precificação mais
sofisticados para mensurar seus ativos e/ou passivos; pode, ou não, adotar
um método ou outro de alocação de juros. Importante salientar que os
custos a serem incorridos para obtenção da informação são mais
objetivamente identificáveis ao passo que os benefícios não o são nesse
mesmo nível. Mas uma informação. Mas uma informação prestada pode alcançar
inúmeros usuários e gerar, por vezes, benefícios por mais de um exercício
social, ao passo que o custo de produzi-la é incorrido em um único
momento. Ademais, podem ocorrer ganhos em termos de eficiência, à medida
que dita informação vai sendo prestada com maior freqüência. Diretrizes
mais específicas Os elementos integrandos do ativo e do passivo
decorrentes de operações de longo prazo, ou de curto prazo quando houver
efeito relevante, devem ser ajustados a valor presente com base em taxas de
descontos que reflitam as melhores avaliações do mercado quanto ao valor
do dinheiro no tempo e os riscos específicos do ativo e do passivo em suas
datas originais. A quantificação do ajuste a valore presente dever
ser realizada em base exponencial “pro rata die”, a partir de origem de
cada transação, sendo os seus efeitos apropriados nas contas a que se
vinculam. As reversões dos ajustes a valor presente dos ativos
e passivos monetários qualificáveis devem ser apropriadas como receitas ou
despesas financeiras, a não ser que a entidade possa devidamente
fundamentar que o financiamento feito a seus clientes faça parte de suas
atividades operacionais, quando estão as reversões apropriadas como
receita operacional. Esse é o caso, por exemplo, quando a empresa opera em
dois segmentos distintos a) venda de produtos e serviços e b) financiamento
das vendas a prazo, e desde que sejam relevantes esse ajuste e os efeitos de
sua evidenciação.
Devem ser utilizados, no que aplicável a e não
conflitantes, os conceitos, as analises e as especificações sobre o ajuste
a valor presente, especialmente sobre elaboração de fluxos de caixa
estimados e definição de taxas de desconto contidas no Pronunciamento Técnico
CPC 01 Redução ao Valore Recuperável de Ativos, inclusive no seu Anexo.
Subsídios também podem ser obtidos no item do Pronunciamento Técnico CPC
14 – Instrumentos Financeiros – Reconhecimento, Mensuração e evidenciação. Passivos
não contratuais Passivos não contratuais são aqueles que apresentam
maior complexidade para fins de mensuração contábil pelo uso de informações
com base no valor presente. Fluxos de caixa ou séries de fluxos de caixa
estimados não carregados de incerteza, assim como são os períodos para os
quais se tem a expectativa de desencaixa ou de entrega de produto/prestação
de serviço. Logo, muito senso critico, sensibilidade e experiências são
requeridos na condução de cálculos probabilísticos. Pode ser que em
determinadas situações a participação de equipe multidisciplinar
de profissionais sejam imperativo para execução da tarefa. O reconhecimento de provisões e passivos está
disciplinado no ambiente contábil brasileiro. São contempladas as obrigações
legais e as não formalizadas (estas ultimas também denominadas pela Teoria
Contábil Normativa como “obrigações jutas ou construtivas”), que nada
mais são do que espécies do gênero “passivo não contratual”. Obrigações
justas resultam de limitações éticas ou morais e não de restrições
legais. Já as obrigações construtivas decorrem de praticas e costumes.
Garantias concedidas a clientes discricionariamente, assistência financeira
freqüente a comunidade nativas situadas em regiões nas quais sejam
desenvolvidas atividades econômicas exploratórias, entre outros, são
alguns exemplos. O desconto a valor presente é requerido que se trate
de passivos contratuais, quer se trate de passivos não contratuais, sendo
que a taxa de desconto necessariamente deve considerar o risco de credito da
entidade. Quando da edição de norma que de legitimidade a aplicação do
conceito de ajuste a valor presente, como é o caso deste Pronunciamento Técnico,
a técnica deve ser aplicada a todos os passivos, inclusive às provisões. A obrigação para retirada de serviço de ativos de
longo prazo, qualificada pela literatura como “Assente Retirement
Obrigatios” (ARO), é um exemplo de passivo não contratual já observado
em companhias que atuam no segmento de extração de minérios metálicos,
de petróleo e termonuclear, ajustado-o a valor presente. Efeitos
Fiscais a)
Para fins de desconto a valor presente de ativos e
passivos, a taxa a ser aplicada não deve ser líquida de feitos fiscais, e,
sim, antes dos impostos. b)
No
tocante às diferenças temporárias observadas entre a base contábil e
fiscal de ativos e passivos ajustados a valor presente, essas diferenças
temporárias devem receber o tratamento requerido pelas regras contábeis
vigentes para reconhecimento e mensuração de imposto de renda e contribuição
social diferidos. Classificação Na
classificação dos itens que surgem em decorrência do ajuste a valor
presente de ativos e passivos, quer seja em situações de reconhecimento
inicial, quer seja nos casos de nova medição, dentro da filosofia do valor
justo, deve ser observado o que prescreve a Estrutura Conceitual para a
Elaboração e a apresentação das Demonstrações Contábeis do CPC, ao
tratar da questão da primazia da essência sobre a forma. A
operação comercial que se caracterize como de financiamento, nos termos
deste Pronunciamento, deve ser reconhecida como tal, sendo que o valor
consignado na documentação fiscal que serve de suporte para a operação
deve ser adequadamente decomposto para efeito contábil. Juros embutidos
devem ser expurgados do custo de aquisição das mercadorias e devem ser
apropriados pela fluência do prazo. É importante relembrar que o ajuste de
passivos, por vezes, implica ajuste no custo de aquisição de ativos. É o
caso, por exemplo, de operações de aquisição e venda
a prazo de estoques e ativo imobilizado, posto que juros imputados
nos preços dever ser expurgados na mensuração inicial desses ativos. Divulgação Em se tratando de evidenciação em nota explicativa,
devem ser prestadas informações mínimas que permitam que os usuários das
demonstrações contábeis obtenham entendimento inequívoco das mensurações
a valor presente levadas a efeito para ativos e passivos, compreendendo o
seguinte rol não exaustivo: a)
Descrição pormenorizada do item objeto da mensuração
a valor presente, natureza de seus fluxo de caixa (contratuais ou não) e,
se aplicável, o seu valor de entrada cotado a mercado: b)
Premissas utilizadas pela administração, taxas de
juros decompostas por prêmios incorporados e por fatores de risco,
montantes dos fluxos de caixa estimados ou séries de montantes dos fluxos
de caixa estimado, horizonte temporal estimado ou esperado, expectativas em
termos de montante e temporalidade dos fluxos (probabilidade associadas). c)
Modelos utilizados para cálculo de riscos e imputs
dos modelos; d)
Breve descrição do método de alocação dos
descontos e do procedimento adotado para acomodar mudanças de premissas da
administração; e)
Propósito de mensuração a valor presente, se para
reconhecimento inicial ou; f)
Nova medição e motivação da administração para
levar a efeito tal procedimento; g)
Outras informações consideradas relevantes. Como visto neste Procedimento o mesmo é bem complexo
e prevê que seja estudado com muito rigor para que não sejam cometidos
erros contábeis, significativos.
|
||||
|
Sergio Segat
Consultor Contábil sergio@machadoc.com.br “ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”
|
||||
|
São Paulo: Rua Haddock Lobo, 337 - 5º Andar - Cerqueira Cesar - CEP: 01414-001 - Fone/Fax: (11) 3257-8237 Florianópolis: Av. Hercílio Luz, 1395 - sl. 02 - Centro - CEP: 88020-001 - Fone/Fax: (48) 3232-8700 www.machadoc.com.br - E-mail: machado@machadoc.com.br |
||||
|
||||