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Newsletter nº 339 - Ano IX - 05 de Agosto de 2009 |
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ESTOQUES
- PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 16 – Parte 1 O
objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil para os
estoques. A questão fundamental na contabilização dos estoques é quanto
ao valor do custo a ser reconhecido como ativo e mantido nos registros até
que as respectivas receitas sejam reconhecidas. Este Pronunciamento
proporciona orientação sobre a determinação do valor de custo dos
estoques e sobre o seu subseqüente reconhecimento como despesa em
resultado, incluindo qualquer redução ao valor realizável líquido. Também
proporciona orientação sobre o método e os critérios usados para
atribuir custos aos estoques. Escopo Este
Pronunciamento aplica-se a todos os estoques, com exceção dos
seguintes:
(a) produção em andamento proveniente de contratos de
construção, incluindo contratos de serviços diretamente relacionados
(ver o Pronunciamento Técnico CPC 17 - Contratos de Construção);
(b) instrumentos financeiros (ver os Pronunciamentos Técnicos
CPC 38 e CPC 39 sobre Instrumentos Financeiros); e.
(c) ativos biológicos relacionados com a atividade agrícola
e o produto agrícola no ponto da colheita (ver Pronunciamento Técnico CPC
29 - Ativo Biológico e Produto Agrícola). Este Pronunciamento não se aplica também
à mensuração dos estoques mantidos por:
(a) produtores de produtos agrícolas e florestais, de
produtos agrícolas após colheita, de minerais e produtos minerais, na
medida em que eles sejam mensurados pelo valor realizável líquido de
acordo com as práticas já estabelecidas nesses setores. Quando tais
estoques são mensurados pelo valor realizável líquido, as alterações
nesse valor devem ser reconhecidas no resultado do período em que tenha
sido verificada a alteração;
(b) comerciantes de commodities que mensurem seus
estoques pelo valor justo deduzido dos custos de venda. Nesse caso, as
alterações desse valor devem ser reconhecidas no resultado do período em
que tenha sido verificada a alteração. 4. Os estoques referidos no item (a) devem
ser mensurados pelo valor realizável líquido em determinadas fases de
produção. Isso ocorre, por exemplo, quando as culturas agrícolas tenham
sido colhidas ou os minerais tenham sido extraídos e a venda esteja
assegurada pelos termos de um contrato futuro ou por garantia governamental
ou quando exista um mercado ativo e haja um risco baixo de fracasso de
venda. Essesestoques devem ser excluídos apenas dos requisitos de mensuração
deste Pronunciamento. Os
operadores (broker-traders) de commodities são aqueles que
compram ou vendem commodities para outros ou por sua própria conta.
Os estoques referidos no item 3(b) são essencialmente adquiridos com a
finalidade de venda no futuro próximo e de gerar lucro com base nas variações
dos preços ou na margem dos operadores. Quando esses estoques são
mensurados pelo valor justo menos os custos de venda, eles são excluídos
apenas dos requisitos de mensuração deste Pronunciamento. Definições Os seguintes termos são usados neste
Pronunciamento, com os significados especificados: Estoques são
ativos:
(a) mantidos para venda no curso normal dos negócios;
(b) em processo de produção para venda; ou. (c)
na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no
processo de produção ou na prestação de serviços. Valor realizável
líquido é o preço de venda estimado no curso normal dos negócios
deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados
necessários para se concretizar a venda. Valor justo é aquele pelo
qual um ativo pode ser trocado ou um passivo liquidado entre partes
interessadas, conhecedoras do negócio e independentes entre si, com ausência
de fatores que pressionem para a liquidação da transação ou que
caracterizem uma transação compulsória. O
valor realizável líquido refere-se à quantia líquida que a entidade
espera realizar com a venda do estoque no curso normal dos negócios. O
valor justo reflete a quantia pela qual o mesmo estoque pode ser trocado
entre compradores e vendedores conhecedores e dispostos a isso. O primeiro
é um valor específico para a entidade, ao passo que o segundo já não é.
Por isso, o valor realizável líquido dos estoques pode não ser
equivalente ao valor justo deduzido dos gastos necessários para a
respectiva venda. Os
estoques compreendem bens adquiridos e destinados à venda, incluindo, por
exemplo, mercadorias compradas por um varejista para revenda ou terrenos e
outros imóveis para revenda. Os estoques também compreendem produtos
acabados e produtos em processo de produção pela entidade e incluem matérias-primas
e materiais aguardando utilização no processo de produção, tais como:
componentes, embalagens e material de consumo. No caso de prestador de
serviços, os estoques devem incluir os custos do serviço, tal como
descrito no item 19, para o qual a entidade ainda não tenha reconhecido a
respectiva receita (ver o Pronunciamento Técnico CPC 30 - Receita). Mensuração de estoque Os
estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de
custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos do estoque O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos
de aquisição O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos, bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. Custos
de transformação Os
custos de transformação de estoques incluem os custos diretamente
relacionados com as unidades produzidas ou com as linhas de produção,
como pode ser o caso da mão-de-obra direta. Também incluem a alocação
sistemática de custos indiretos de produção, fixos e variáveis, que
sejam incorridos para transformar os materiais em produtos acabados. Os
custos indiretos de produção fixos são aqueles que permanecem
relativamente constantes independentemente do volume de produção, tais
como a depreciação e a manutenção de edifícios e instalações fabris,
máquinas e equipamentos e os custos de administração da fábrica. Os
custos indiretos de produção variáveis são aqueles que variam
diretamente, ou quase diretamente, com o volume de produção, tais como
materiais indiretos e certos tipos de mão-de-obra indireta. A
alocação de custos fixos indiretos de fabricação às unidades
produzidas deve ser baseada na capacidade normal de produção. A
capacidade normal é a produção média que se espera atingir ao longo de
vários períodos em circunstâncias normais; com isso, leva-se em
consideração, para a determinação dessa capacidade normal, a parcela da
capacidade total não-utilizada por causa de manutenção preventiva, de férias
coletivas e de outros eventos semelhantes considerados normais para a
entidade. O nível real de produção pode ser usado se aproximar-se da
capacidade normal. Como consequência, o valor do custo fixo alocado a cada
unidade produzida não pode ser aumentado por causa de um baixo volume de
produção ou ociosidade. Os custos fixos não-alocados aos produtos devem
ser reconhecidos diretamente como despesa no período em que são
incorridos. Em períodos de anormal alto volume de produção, o montante
de custo fixo alocado a cada unidade produzida deve ser diminuído, de
maneira que os estoques não sejam mensurados acima do custo. Os custos
indiretos de produção variáveis devem ser alocados a cada unidade
produzida com base no uso real dos insumos variáveis de produção, ou
seja, na capacidade real utilizada. Um processo de produção pode resultar em mais de um produto fabricado simultaneamente. Este é, por exemplo, o caso quando se fabricam produtos em conjunto ou quando há um produto principal e um ou mais subprodutos. Quando os custos de transformação de cada produto não são separadamente identificáveis, eles devem ser atribuídos aos produtos em base racional e consistente. Essa alocação pode ser baseada, por exemplo, no valor relativo da receita de venda de cada produto, seja na fase do processo de produção em que os produtos se tornam separadamente identificáveis, seja no final da produção, conforme o caso. A maior parte dos subprodutos, em razão de sua natureza, geralmente é imaterial. Quando for esse o caso, eles são muitas vezes mensurados pelo valor realizável líquido e este valor é deduzido do custo do produto principal. Como resultado, o valor contábil do produto principal não deve ser materialmente diferente do seu custo. Outros
custos Outros
custos que não de aquisição nem de transformação devem ser incluídos
nos custos dos estoques somente na medida em que sejam incorridos para
colocar os estoques no seu local e na sua condição atuais. Por exemplo,
pode ser apropriado incluir no custo dos estoques gastos gerais que não
sejam de produção ou os custos de desenho de produtos para clientes específicos.
Exemplos
de itens não-incluídos no custo dos estoques e reconhecidos como despesa
do período em que são incorridos:
(a) valor anormal de desperdício de materiais, mão-de-obra
ou outros insumos de produção;
(b) gastos com armazenamento, a menos que sejam necessários
ao processo produtivo entre uma e outra fase de produção; (c) despesas administrativas que não contribuem para trazer o estoque ao seu local e condição atuais; e
O
Pronunciamento Técnico CPC 20 - Custos de Empréstimos identifica as
circunstâncias específicas em que os encargos financeiros de empréstimos
obtidos são incluídos no custo do estoque. A entidade geralmente compra estoques com condição para pagamento a prazo. A negociação pode efetivamente conter um elemento de financiamento, como, por exemplo, uma diferença entre o preço de aquisição em condição normal de pagamento e o valor pago; essa diferença deve ser reconhecida como despesa de juros durante o período do financiamento. Custos
de estoque de prestador de serviços Na medida em que os prestadores de serviços tenham estoques de serviços em andamento, devem mensurá-los pelos custos da sua produção. Esses custos consistem principalmente em mão-de-obra e outros custos com o pessoal diretamente envolvido na prestação dos serviços, incluindo o pessoal de supervisão, o material utilizado e os custos indiretos atribuíveis. Os salários e os outros gastos relacionados com as vendas e com o pessoal geral administrativo não devem ser incluídos no custo, mas reconhecidos como despesa do período em que são incorridos. O custo dos estoques de prestador de serviços não inclui as margens de lucro nem os gastos gerais não-atribuíveis que são frequentemente incluídos nos preços cobrados pelos prestadores de serviços. Custo
do produto agrícola colhido proveniente de ativo biológico Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 29 - Ativo Biológico e Produto Agrícola, os estoques que compreendam o produto agrícola que a entidade tenha colhido, proveniente dos seus ativos biológicos, devem ser mensurados no reconhecimento inicial pelo seu valor justo deduzido dos gastos estimados no ponto de venda no momento da colheita. Esse é o custo dos estoques naquela data para aplicação deste Pronunciamento. Outras
formas para mensuração do custo Outras
formas para mensuração do custo de estoque, tais como o custo-padrão ou o
método de varejo, podem ser usadas por conveniência se os resultados se
aproximarem do custo. O custo-padrão leva em consideração os níveis
normais de utilização dos materiais e bens de consumo, da mão-de-obra e
da eficiência na utilização da capacidade produtiva. Ele deve ser
regularmente revisto à luz das condições correntes. As variações
relevantes do custo-padrão em relação ao custo devem ser alocadas nas
contas e nos períodos adequados de forma a se ter os estoques de volta a
seu custo. O método de varejo é muitas vezes usado no setor de varejo para mensurar estoques de grande quantidade de itens que mudam rapidamente, itens que têm margens semelhantes e para os quais não é praticável usar outros métodos de custeio. O custo do estoque deve ser determinado pela redução do seu preço de venda na percentagem apropriada da margem bruta. A percentagem usada deve levar em consideração o estoque que tenha tido seu preço de venda reduzido abaixo do preço de venda original. É usada muitas vezes uma percentagem média para cada departamento de varejo.
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Sergio Segat
Consultor Contábil sergio@machadoc.com.br “ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.”
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