Newsletter nº 342 -  Ano IX  - 26 de Agosto de 2009

 

 

 

 

 

OS CHINESES NO BRASIL II

 

Sendo os bens de capital que denotam maior participação na importação de produtos chineses pelo Brasil, o casamento da ação com a estratégia tem feito a diferença na invasão chinesa ao mercado brasileiro.  

Toda ação comercial das empresas chinesas tem o apoio do governo chinês que age para obter novas fontes em seu atlas global de fornecimento. Pela ação do braço financeiro estatal a China prometeu US$ 9 bilhões de empréstimos para projetos de infraestrutura no Congo, desde que possa garantir o controle de minas com 10 milhões de toneladas métricas de cobre e 600 milhões de toneladas de cobalto. De igual forma no Níger, onde a nação africana receberá projetos de investimento em petróleo de US $ 5 bilhões. Para não ficarem de fora do pré-sal os investimentos miram também a Petrobras brasileira que receberá US$ 10 bilhões em financiamentos em troca de óleo.

Logo, o que se percebe é uma verdadeira caça chinesa aos ativos, que permitam a ela uma posição estratégica, utilizando-se é claro de suas consideráveis reservas de cerca de US$ 2,1 trilhões, acelerando com esse tônico os projetos de busca de suprimento de longo prazo de matérias primas de uso estratégico.

É bom lembrar que ela já possui o seu fundo soberano, denominado China Investment Corporation, com mais de US$ 200 bilhões de patrimônio, que persegue bons retornos financeiros, buscando em geral participações minoritárias em investimentos relativamente seguros.

No pelotão de frente das aquisições estão as estatais chinesas. Apenas nos últimos dias, sabe-se que a Sinopec ofereceu até US$ 7,1 bilhões pela Addex Petroleum, que possui direitos de exploração de petróleo no Kurdistão iraquiano, Gabão e Nigéria. Além da Corporação Nacional de Petróleo da China e a Cnooc, a Sinochem, o maior grupo petroquímico e a Yanghou Coal Mines.

O fato é que ela funciona como rolo compressor das aquisições mundiais, comprando tudo o que pode comprar, podendo ter de muitas vezes oferecer contrapartida à abertura de mercado, além é claro de questões trabalhistas, isso sem falar de muitos conflitos raciais que sofrem ao entrar em alguns países.

No Brasil seus equipamentos e mão de obra já fazem parte do maior projeto siderúrgico do país, que pode entrar em funcionamento ainda esse ano, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), pertencente ao grupo alemão ThyssenKrupp, no Estado do Rio de Janeiro, num investimento de cerca de US$ 3,5 bilhões. Nessa obra, a empresa chinesa, CITIC, possui um contrato de US$ 400 milhões, onde empregará na fase de montagem 600 trabalhadores chineses, o que acabou sendo motivo de muitos protestos das entidades sindicais, isso sem mencionar que a empresa inicialmente tentou trazer 4000 trabalhadores chineses, o que o ministério do trabalho de plano rechaçou.

Esse é apenas um exemplo. Para a Gerdau, o consórcio chinês formado pelas empresas Minmetals Corporation e China Metallurgical Construcion Group, assinaram um acordo de fornecimento de equipamentos e serviços no valor de US$ 300 milhões. Para essa contratação existe um fianciamento de uma instituição chinesa, pelo prazo de 12 anos. O mesmo consórcio também forneceu à Usiminas, em uma obra orçada em US$ 250 milhões.

De igual forma as empresas chinesas encontram-se presentes em obras da CSN e da Petrobras, em contratos que somados perfazem cerca de US$ 290 milhões.

Além desses setores, as telecomunicações brasileiras, tem uma forte presença chinesa, pois as empresas Huawei e a ZTE, participam no Brasil desde 2006 de contratos que perfazem um investimento superior a R$ 1 bilhão. Mais recentemente a Chery uma das cinco maiores montadoras chinesas, anunciou a intenção de construção de uma unidade no Brasil e já iniciou a distribuição de seus automóveis.

Como se percebe a caminhada ocorre a galope, não só por necessidade de novos mercados, pois precisam diminuir a dependência da economia americana, mas como um estado de mentalidade socialista que age de forma programada no seu expansionismo, tendo políticas de Estado e não de empresa, o que nós aqui desse lado não estamos acostumados.

É bom lembrar que o consumo de petróleo pela China duplicou nos últimos 10 anos, passando de 4,2 milhões/dia de barris de 1998 para oito milhões de barris no ano passado, segundo o relatório Statistical Review, da BP. O país, a terceira maior economia do mundo, importou 3,6 milhões de barris de petróleo ao dia no ano passado, para cobrir cerca de 45% de suas necessidades, e esses números servem para justificar a sede na promoção de reservas estratégicas.

Logo precisa-se de mercados, reservas e de onde vender seus serviços, maquinas e árvores e decoração de natal, ainda que na China não tenha Natal.

 

Luciana Chang

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