Newsletter nº 345  -  Ano IX  -  02 de Outubro de 2009

 

      

IPO’s E OS US$ 25 BILHÕES

A reabertura do mercado de capitais para os IPO’s (oferta pública inicial) tem obtido relevante papel neste segundo semestre na economia brasileira por diversas razões; só para este último trimestre há expectativa de ingresso de até US$ 25 bilhões, entre emissões de IPO’s e captações externas; e evidentemente todo esse fluxo de capital alimenta a valorização do real frente ao dólar. Só em setembro a apreciação do real foi de 6,24%, com uma taxa de R$ 1,77 que já é a menor dos últimos doze meses.

Mantido esse ritmo e confirmada a expectativa de ingresso de capitais nos próximos três meses, o balanço de pagamentos encerrará o ano com superávit na casa dos US$ 40 bilhões ou mais, cifra equivalente à metade do superávit de 2007, ano em que o balanço de pagamentos teve saldo recorde, adicionado às reservas cambiais, de US$ 85 bilhões, o que pode elevar as reservas ao valor de US$ 250 bilhões.

Imaginar que todo esse fluxo é decorrência do “Brasil estar na moda” é ingenuidade por demais, ou simplesmente maledicência dos que teimam em não reconhecer méritos na política econômica desse governo. Afinal, o termo “moda” é sempre perigosamente passageiro, o fato é que o mercado financeiro vê hoje no Brasil um campo seguro e certo para seus investimentos, movido por suas reservas, por seus players competitivos e por ótimas oportunidades na abertura de capital de empresas como Santander, Visa que estão em setores da economia altamente lucrativos.

Logo, é evidente que a valorização do real decorre muito mais de fatores domésticos do que da desvalorização do dólar no mercado externo. O dólar teve uma desvalorização de 6,66% frente ao real em setembro e de 31,72% no acumulado do ano. Em relação ao euro, a depreciação foi de 2,17% no mês passado e de 5,57% de janeiro a setembro, logo, os sinais internos de nossa economia estão funcionando como aditivo para entrada de recursos.

A confiança pode ser também medida no sucesso da emissão de títulos de dívida externa de vencimento em 31,5 anos do governo federal realizada nessa semana, de US$ 1,25 bilhão, com demanda total de mais de US$ 5,7 bilhões e rendimentos em recorde histórico de baixa, o que por certo abre espaço para empresas e bancos brasileiros emitirem papéis de prazo mais longo. Com isso, a perspectiva é de mais ingresso de recursos no país, contribuindo para uma nova rodada de valorização do real, o que é certo, retira a competitividade dos nossos produtos no mercado externo, ficando essa, apenas na mão dos oligopólios, da mineração e siderurgia, o que por certo não é nenhum pouco salutar para os demais segmentos da nossa economia que perdem espaço no mercado externo e precisam se voltar para o mercado interno.

Não restam dúvidas nenhuma na força do mercado interno, e no seu papel de criar a musculatura para as empresas, mas depositar todas as suas fichas nele é se calar frente as referências de competição e eficiência que hoje são globais e não mais locais.

O sucesso dos nossos números pode também ser medido, por ações das empresas como o Banco do Brasil que está para lançar papéis perpétuos, sem vencimento final, de dívida subordinada nível 1, que entra como capital no balanço do banco, criando dessa maneira uma nova referência de taxas e prazos para as empresas brasileiras. Nessa esteira devem também entrar Telemar e Embraer.

Outro resultado desse aumento na classificação de risco de crédito do governo do Brasil pela Moody's é que já no mês de setembro, empresas, bancos e governo brasileiros captaram um total de US$ 5,215 bilhões com empréstimos sindicalizados e bônus no mercado externo, o maior valor desde outubro de 2007. A perspectiva é de que o movimento continue, pois agora o país é considerado investimento não especulativo pelas três principais agências de rating: além da Moody's, a Standard & Poor's e a FitchRatings.

Essa maior disponibilidade de recursos para as empresas brasileiras nos mercado de capitais (ações e bônus) e o aumento da nota do Brasil tem contribuído para uma melhoria na classificação de risco de crédito das próprias companhias.

De fato, o mercado está definitivamente aberto para as companhias brasileiras agora que o Brasil captou com o menor rendimento da história na parte mais longa da curva de juros e é fundamental estar preparado para aproveitar esse momento.

Os dados começam a demonstrar que a nova onda de IPO’s não é apenas uma janela, mas sim uma retomada; mais seletiva é certo.

Pra quem vê no IPO uma ótima alternativa para ampliar o tamanho de sua empresa, ou colocar de pé seus projeto o ano 2010 já bate a porta, e a abertura de capital de projetos que não sejam compreendidos no primeiro momento pelo investidor, terá poucas chances, a janela esta aberta sim, mas para quem esteja bem assessorado no desenho da oferta. Por certo, como já dissemos será o fim do dinheiro fácil. Os novos IPO’s, ocorrerão sim também, para projetos que estavam na fila, mas que devem retornar após um face lift, devendo os mesmos ocorrerem ainda no último trimestre do ano e no primeiro trimestre de 2010.

A abertura de capital exige um assessoramento contínuo da escolha à definição do quando, pois inúmeros são os passos dados, além é claro dos requisitos indispensáveis como a governança corporativa, os acordos de acionistas, o planejamento sucessório, a consolidação dos números, a adoção dos procedimentos internacionais de contabilidade.

A estrada pode ser árdua para quem não estiver preparado, mas certamente será o caminho do sucesso para aqueles que sabem reconhecer as suas fragilidades de frente e que um projeto se constrói com equipe qualificada, focada e determinada a obter os resultados para um projeto duradouro.

O IPO pode, sim, ser um objetivo, mas na estrada que leva a ele muitos são os caminhos, e é esse o trabalho da Machado, colaborar na construção desse caminho.

A estruturação do seu negócio, não depende de ter um IPO como fim, mas muitos dos seus predicados são, sim, encontrados nele e para isso estamos dispostos ao desafio de agregar valor na estruturação do seu negócio.

É evidente que existe um limite no mercado das captações, por meio de IPO’s, logo criar diferenciais é uma construção que não ocorre de um dia para o outro, mas sim fruto de um detalhado planejamento, pois nenhuma empresa é capaz de construir um desenho para abertura de capital em tempo inferior a um ano.

As ofertas públicas iniciais deverão duplicar no ano que vem no Brasil. Num momento em que a bolsa amplia sua maior alta dos últimos seis anos e que se acelera o crescimento da economia brasileira, o Índice Bovespa disparou 62% neste ano, estimulado pelos cortes das taxas de juros, que as reduziram a um nível de baixa recorde, enquanto a economia se recuperava de sua primeira recessão desde 2003. O número de ofertas iniciais caiu para quatro no ano passado, em relação as 64 empresas de 2007, que levantaram R$ 60,5 bilhões, uma vez que a crise financeira mundial reduziu a disposição dos investidores de aplicar em países emergentes.

Assim construir uma nova história para o seu negócio é um exercício de estratégia e velocidade no emprego da mesma e para isso a Machado & Associados está disponível para ser sua parceira nesse delicado e decisivo momento.

 

CHARLES MACHADO
Diretor Executivo da Machado & Associados e Presidente do Instituto Nacional de Direito Empresarial
charles@machadoc.com.br 

“ O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.” 

 

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