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Newsletter nº 346 - Ano IX - 17 de Dezembro de 2009 |
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DIGA-ME COMO DIRIGES E DIR-TE-EI QUEM ÉS! Há
muitas décadas os carros deixaram de ser apenas um meio de locomoção e
passaram a ser um símbolo de status, independência, ferramenta de trabalho
e também, é claro, continua sendo um meio de locomoção. Os carros
mostram muito das pessoas e da sociedade, afinal quando vemos um homem na
melhor idade comprar um carro conversível e desfilar pelo seu bairro no fim
de semana, construímos um universo de significações para esse signo. O
trânsito chinês e a forma dos chineses se comportarem, permitem entender
em cada detalhe aquela sociedade, o primeiro ponto que chama atenção é a
proliferação de novos veículos. Isto mesmo, a frota chinesa é
absurdamente nova, logo concluímos que ela reflete o significativo
crescimento daquela economia, as facilidades de aquisição de veículos e o
plano industrial daquela nação para a industria automobilística. As
montadoras têm crescido em sua produção a uma média de 38% ao ano; é
impressionante, e imagine que no mercado chinês se encontram veículos zero
km a um preço inferior a R$ 8.000,00, praticamente o preço que se paga por
uma scooter no Brasil. Com
mais de 128 marcas próprias de automóveis, andar na vias públicas
chinesas é uma verdadeira aula de design automobilístico, você sempre
olha pra um veículo com aquela suspeita de que já viu uma parte dele em
outro veículo, afinal sempre suspeite da originalidade chinesa. Essa
característica certamente indica que é uma indústria que tem muito ainda
para crescer, mas que se afigurará como líder global, seja pelo preço
propiciado pela escala, pela oferta de crédito, além da economia realizada
no desenvolvimento desses modelos, afinal justificar os baixos preços pela
mão de obra barata é sempre fruto de nossa ignorância, pois no caso dos
automóveis ela representa menos de 10% do seu valor, o que por si só já
desmente eventuais pré-conceitos. Quanto
à qualidade desses veículos, antes deplorável, avança a passos
galopantes, a prova disso é que em 2010, o empresário brasileiro Sérgio
Habib, importador da Jaguar no Brasil, inicia a importação dos veículos
da marca chinesa JAC, abrindo cerca de 50 concessionárias, o que funciona
como referência do que esta por vir. Toda
essa frota circula em avenidas largas e autovias construídas em velocidade
impressionante para suportar uma frota de milhões de novos veículos
conduzidos por igualmente novos condutores; e aí começa o primeiro
problema, pois crédito fácil leva ex-condutores de bicicleta a conduzir
automóveis, porém como se ainda estivessem conduzindo suas velhas
bicicletas, o resultado é um trânsito muitas vezes caótico, fruto não do
excesso de veículos, mas da falta de cultura desses condutores. Se
você esta acostumado a dirigir no Brasil e resolve dirigir na China, todo
cuidado é pouco, pois os chineses só conhecem uma lógica: o bolso. Isso
mesmo, se não tem um guarda ou um radar, um semáforo é apenas uma referência,
logo o caos está formado. Filas são apenas um desafio a astúcia, pois os
novos e rebeldes condutores querem tirar sempre vantagem, dessa forma o trânsito
simples vira um desordenado congestionamento, com isso a propalada paciência
oriental no caso do trânsito fica em casa, pois nas ruas é uma competição
onde a única regra é chegar antes do carro do lado. O
caos com o tempo certamente será ordenado pela força do Estado, o que pode
ser notado pela proibição de motos em cidades como Dongguan que com 8,5
milhões de pessoas proibiu a circulação de motos, além do uso de
buzinas, isso mesmo, você consegue imaginar a proibição de buzinar em uma
cidade brasileira? Isso dá a dimensão de como chineses gostam de buzinar.
É incrível, em locais onde não se proíbe, tem-se a impressão que a
buzina fica presa na mão do condutor. Todos esses traços bem representam a condução dos chineses em seus negócios, ou seja, só existem dois tipos de respeito: o bolso e a força estatal, logo se você pretende concorrer com empresas chinesas tenha isso em mente. Chineses são essencialmente seres competitivos que ainda desconhecem as regras de um livre mercado e olham mais como uma livre oportunidade, logo pra eles é apenas mais uma fila pra se furar.
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Luciana Chang "O texto acima é de exclusiva responsabilidade do colaborador.” |
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