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Newsletter nº 277 - Ano VI - 05 de Dezembro de 2006 |
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Estimulando a geração de energias alternativas via financiamentos baratos e benefícios fiscais, o Brasil pode ter oportunidade única de crescimento O FIM DO MUNDO É BOM NEGÓCIO O leitor já reparou que em qualquer lugar do centro da cidade, sempre que ameaça chover, há dezenas de pessoas com guarda-chuvas, que saem não se sabe de onde para vendê-los? Isso se explica pela mais antiga lógica do mercado, a da oferta e da procura. Ou seja, o tempo anuncia nova mudança climática, e é exatamente isso que o mundo vive atualmente quando cálculos recentes de um estudo encomendado pelo governo inglês identifica a quantia de US$ 7.000.000.000.000,00. Isso mesmo, 7 trilhões de dólares, ou 20% do PIB de todos os países. Esse é o tamanho da conta do aquecimento global nos próximos 50 anos, quando a temperatura média do planeta Terra deve subir cerca de 5 graus Celsius, como aponta o relatório produzido por sir Nicholas Stern, assessor econômico da administração britânica e ex-economista-chefe do Banco Mundial. Será esse o custo do aquecimento global, caso as nações não tomarem providências agora para diminuir a poluição mundial. Mantendo-se os atuais índices de poluição atmosférica por dióxido de carbono (CO2), o resultado serão invernos fora da época, secas, enchentes, escassez de alimentos e pandemias como a malária. Toda essa sucessão de acontecimentos levaria o mundo a uma megarrecessão, com custo maior que as duas grandes guerras mundiais e a Depressão dos anos 30 juntas. Esse desastre não vai ocorrer na próxima geração, mas será sentido por todos nós, alastrando-se dia após dia, gerando uma dívida de US$ 1 mil para cada habitante do planeta. Esses números fazem com que os Estados Unidos, país não-signatário do Protocolo de Kioto (acordo internacional pelo qual as nações desenvolvidas se comprometeram em diminuir em média 5,2% suas emissões de gases entre 2008 e 2012, com base nos índices registrados em 1990), tenham de correr atrás do tempo perdido, afinal os prejuízos são sempre proporcionais às economias. A escassez de alimentos faz com que os preços se tornem estratosféricos, o que implica maior custo para países consumidores como os EUA. O custo para adequação às medidas do Protocolo de Kyoto é de 1% do PIB ao ano, bem menor do que os efeitos que o aquecimento global produz. O Brasil pode ser como aquele vendedor de guarda-chuvas e identificar nesse problema uma oportunidade única, estimulando a geração de energias alternativas via financiamento barato e benefícios fiscais, tais como alíquotas progressivas de acordo com o índice de poluição. Recentemente, Santa Catarina andou na contramão disso, tributando o álcool com a mesma alíquota dos demais combustíveis, o que é uma medida não só contrária à natureza, mas também inibidora de geração de emprego. Argumento utilizado: o álcool não cria postos de trabalho em nosso Estado. Um absurdo para um Estado que em sua política tributária vive premiando tradings importadoras de desemprego. O fim do mundo pode ser um bom negócio, para os que sabem vender guarda-chuvas.
Artigo Publicado no Jornal "A Notícia" do dia 29/11/2006 Charles Machado
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