Newsletter nº 292  -  Ano VII  -  24 de Julho de 2007

  

 

 

 

O PILOTO SUMIU

 

     Em momentos de grande comoção pública todos somos levados pela nossa educação cristã a encontrar culpados. Afinal, quando encontramos o culpado quase que imediatamente parecemos tirar esse peso de nossas costas, e assim começamos a acreditar que resolvemos o problema, como se só isso pudesse trazer de volta a vida daquelas centenas de pessoas, como se isso pudesse aplacar a saudade do filho que já não vemos, ou dos sonhos que junto com os mortos são sepultados. Nessas horas ao enfrentarmos os fatos com as leis, a norma ganha uma distância ímpar da realidade, esse parece ser o caso do Art. 3°, II, da Constituição que elege a garantia ao desenvolvimento nacional como objetivo fundamental.

     Ao ver essa seqüência de desmandos, tudo o que podemos crer é que o desenvolvimento passou longe. É preciso força no cumprimento das leis, de nada adianta reiteradas vezes prometer o fim da crise aérea se no dia seguinte tudo continua como antes, os atores são os mesmos e o texto é o mesmo. A diferença é que continuamos a pagar cada vez mais caro por esse espetáculo dantesco, quando autoridades não conseguem nem mesmo dar as caras na crise, e quando o fazem é pura manifestação de zombaria, seja da ministra do Turismo sexual ou do assessor para assuntos internacionais mais preocupado com o dividendo eleitoral do que com a vida das pessoas. E assim continuamos nesse avião, onde só nos resta apertar o cinto, pois o piloto sumiu.

 

Artigo Publicado no Jornal "Diário Catarinense

do dia 24/07/2007

Charles Machado
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