Newsletter nº 329  -  Ano IX  -  25 de Maio de 2009

 

 

 

PRÉ-SAL DESAFIOS E OPORTUNIDADES

 

          Para o bem ou para o mal, a descoberta do Pré-Sal coloca-se como divisor de águas no horizonte de desenvolvimento brasileiro, porém é fundamental lembrar que não faltam exemplos de países sentados em enormes reservas petrolíferas que nunca conseguiram transformar essa riqueza mineral em desenvolvimento econômico de longo prazo.

 

          Indo de Santa Catarina ao Espírito Santo, sem estarem dimensionadas, as reservas podem ir de 40 bilhões de barris segundo os pessimistas à 330 bilhões de barris, segundo os otimistas, o que nos deixaria na frente da Arábia Saudita.

 

          O fato é que a razão deve dar lugar a emoção, e o assunto sempre que possível deve sair das raias do ufanismo político e permear os centros de negócios e bancos acadêmicos, pois os desafios tecnológicos que iremos enfrentar para exploração rentável, obriga-nos a extrair da ligação da academia com o mundo do trabalho, alianças sinérgicas e produtivas.

 

          As oportunidades estão postas para o mundo acadêmico, e elas vão exigir reformas curriculares, cursos de extensão readequados, pós-graduações mais específicas para o meio, tudo em uma velocidade nunca dantes feita. Somente a Petrobras precisará contratar cerca de 40.000 funcionários, isso sem contar a mão de obra de parceiros e fornecedores, tudo num curto período, onde treinamento e formação andarão juntos a passos largos.

 

          A construção naval, sucateada nas últimas décadas, para se reequipar precisará enfrentar paradigmas legais, notadamente tributários e societários, afinal com a premissa de que 50% do conteúdo seja nacional, os estaleiros precisarão ser reequipados, e aprenderem a trabalhar de forma modular, para ganho de tempo e escala, logo exigirá também a presença mais próxima de seus fornecedores e uma maior inteligência logística no processo construtivo.

 

          Essas questões são apenas o ponto inicial, do mundo de oportunidades que a indústria catarinense terá, e a verticalização parece ser um caminho único construído por parcerias devidamente incentivadas.

 

          Poucas são as empresas que participarão desse negócio de forma isolada, logo inúmeras serão as joint-ventures que precisarão ser erguidas, de forma eficiente, inovadora.

 

          Santa Catarina mais do que condições materiais tem condições humanas para fazer desse desafio uma oportunidade.

 

Publicado no Diário Catarinense do dia 23/05/2009

  Charles Machado
Consultor Jurídico
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