Newsletter nº 330  -  Ano IX  -  02 de Junho de 2008

 

 

 

 

O PRÉ-SAL BATE A PORTA

 

Ainda que não sejamos nenhuma Arábia Saudita, a economia vinculada aos hidrocarbonetos já representa mais de 10% do PIB. Afinal para se ter a dimensão, desse da energia, é só dar uma olhada a sua volta e identificar quantos são os produtos derivados dessa matéria prima, que vai do combustível do automóvel até tintas e outros derivados.

 

É evidente que não precisamos aqui acentuar as dimensões do pré-sal, mas sim identificar as oportunidades para a indústria catarinense. Nesse primeiro instante notadamente, no setor metal mecânico, afinal na área de equipamentos os desafios constroem um mundo infinito de alternativas de negócio.

 

Os equipamentos necessários à produção da nova fronteira terão de ficar submersos em vez de flutuar na superfície como ocorre atualmente. As técnicas de produção já são conhecidas, e é vidente que estaremos falando na capacidade de se inovar e aperfeiçoar produtos já existentes, mas que pela dimensão da oportunidade poderão tornar-se viáveis pela escala de produção.

 

Logo, a indústria deverá caminhar, pela ampliação da confiabilidade de seus produtos, aumento do grau de automação, redução dos efeitos de corrosão, pois sempre é bom lembrar, que não existe mão de obra à mais de 6000 de profundidade.

 

A maior distância entre a plataforma e os poços, será o dobro da profundidade que se trabalha hoje, forçará as petroleiras que atuam no pré-sal a "afundar" seus sistemas de produção, de modo a evitar desequilíbrios. Isso exigirá materiais mais resistentes à ação do mar, mais um desafio que se coloca como oportunidade ao crescimento da indústria catarinense.

 

Ao mesmo tempo o setor deve se redefinir, com novas dimensões e formas de trabalho o que deve implicar em poços com maior tamanho e capacidade. 

 

 

A construção de plataformas na planta industrial de Santa Catarina é uma conseqüência natural, pois nossa indústria de base possui toda condição material instalada para verticalizar esse item, mas antes é preciso regular os incentivos fiscais necessários.

 

A infra-estrutura portuária precisa ser estimulada, o que o governo Federal já o fez, por diversos instrumentos legais, precisa ser copiado pelo governo estadual, para que não fiquemos de fora desse que será um divisor de águas na história da economia brasileira.

 

O calendário de ações já esta posto, e independe do marco regulatório, pois as adequações industriais em nada tem de relação com a pormenorização legal do petróleo, pois hoje já possuímos uma legislação, logo seu ajuste e aperfeiçoamento de nada interferem no caminho das indústrias.

 

A pressa reside na necessidade de se definir um rumo para o futuro, porém sobre ela estarão interessados na exploração, Estados e Municípios, não interferindo diretamente nas indústrias. 

 

Os planos de investimento da Petrobras para o pré-sal dão a dimensão dessas oportunidades, pois serão de US$ 29,8 bilhões até 2013, chegando a US$ 111 bilhões até 2020, isso somente a nossa estatal.

 

Com todas essas oportunidades de que maneira estamos nos preparando? Quais são os cursos para os profissionais que a atividade requer? Afinal somente a Petrobras contratará 40.000 pessoas nos próximos anos.

 

Nessa corrida estamos atrás de Estados como o Rio de Janeiro, e até mesmo São Paulo cujo Governo criou uma comissão somente para identificar oportunidades e agir no sentido de catalisá-las. Focar nas oportunidades postas é papel não só do Estado mas também de toda sociedade civil organizada, pois o tempo não nos espera.

 Publicado no Jornal "A Notícia Joinivlle" do dia 30/05/2009

 

  Charles Machado
Consultor Jurídico
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