Newsletter nº 288  -  Ano VII  -  21 de Maio de 2007

  

 

SEU EMPREGO PELO RALO

      Por maior que seja a vontade e o caráter empreendedor do empresário ele depende fundamentalmente do ambiente que o Estado pode fomentar. Os significativos números de quebra de empresas nos seus primeiros cinco anos são um claro exemplo disso, pois quando o crédito é caro, a tributação e alta e poucos são os incentivos para formação de mão de obra qualificada o único resultado que a equação pode apresentar é a quebra de um sonho.

     É evidente também que os estímulos podem ser dados por inúmeros instrumentos, tais como: infra-estrutura logística; oferta de cursos profissionalizantes que agreguem valor a mão de obra; desburocratização na abertura de empresas além é claro de incentivos fiscais.

     Sobre esse atentamos que eles não podem ser uma pedra fácil, que não possua uma linha identificada com a vocação do Estado e também com as perspectivas mundiais do mercado.

     O que não pode é ter como única regra a geração de emprego, pois dependendo do estímulo esse emprego pode custar bem mais caro que a média mundial, um claro exemplo são as instalações da Renault e da Mercedes, onde cada emprego gerado custou quase o dobro da média mundial e o triplo da média nacional.

     É evidente também o papel das empresas nesse momento em saber identificar oportunidades, sem que isso seja uma aventura. As pessoas gostam de se repetir o tempo todo. Aliás, este tem sido a marca do marketing dos grandes vencedores. Um deles, talvez dos melhores, era Charles Chaplin. Ele sempre dizia: "Não inovem demais, pois as pessoas só gostam daquilo que já estão acostumadas. O novo complica o raciocínio".

     Isso pode ser visto no claro exemplo das perspectivas que o etanol esta abrindo, onde Santa Catarina pode e deve aproveitar a sua indústria metal mecânica já instalada para produzir maquinário e ferramental para esse excepcional setor da economia que vem crescendo a média de 30% ao ano e onde algumas indústrias tem filas de entrega de quase dois anos.

     Os mais apressados já diriam então porque estimular se o mercado já esta aquecido, justamente por isso, para que não sejamos mais um, pois se pretendemos fazer diferença no mundo dos bens de capital dessa indústria precisamos ter a capacidade de produzir do parafuso a caldeira, com índices e excelências mundiais.

     Outra oportunidade que se apresenta com esse setor é o desenvolvimento dos derivados do álcool, uma indústria que deve movimentar bilhões nas próximas décadas, naquilo que chamamos de indústria alcoolquímica, de onde sairão solventes e outros derivados.

     Para esse setor é fundamental estimular a pesquisa, ou alguém imagina que chegamos ao grau de excelência no frango e porco sem estímulo a pesquisa?

     Nesse instante o Governo do Estado deve ser forte ao demonstrar claramente pra onde aponta o desenvolvimento, evitando assim que mais milhares de emprego escorram pelo ralo, quando estimula a importação através das tradings.

 

Artigo Publicado no Jornal "A Notícia" 

do dia 18/05/2007

 

Charles Machado
Diretor Jurídico

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